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Nov 01 2008

Entrevista a Paulo Vilela

Publicado por João Matos em entrevista
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paulo_vilela Entrevista a Paulo VilelaEstamos de volta com mais uma e desta vez a vítima é , Arquitecto de Sistemas na Sun Microsystems e figura mais do que conhecida do nosso panorama do Software Aberto em Portugal. É da Sun que vem grande parte da ajuda para o OpenOffice em Portugal e também para o cd do Crie para as escolas. Tem participado em eventos nacionais, como os encontros nacionais de software livre, ou internacionais, como a recente Conferência Internacional do Software Libre, em Málaga.

Apesar de todas essas actividades ele reservou-nos um pouco do seu tempo. Vamos conhecê-lo e saber o que a Sun nos reserva para o futuro.

Fala-nos um pouco sobre ti. Quem és tu, de onde vens?
Sou o , Arquitecto de Sistemas na , onde trabalho há 10 anos. Antes disso trabalhei na Unisys (em Lisboa e em Londres), e na NCR.
Estudei no ISEL e no IST. Vivo na linha do Estoril, o que me torna um felizardo  que está a poucos minutos da praia e do mar.

Como começaste a utilizar software livre?

Comecei a usar Unix e Xenix há 22 anos.. Na altura havia um precursor do software livre, o Unix BSD (Berkeley Systems Distribution), que se utilizava muito nas Universidades e que deu origem directa ao FreeBSD, ao OpenBSD, ao Solaris e ao OpenSolaris.
Na Sun utilizamos  StarOffice desde que lá estou e OpenOffice.org desde que surgiu, em 2000.
O meu contacto com é mais recente, data de há uns 4 anos. Mas venho defendendo há muito que a melhor transição para o software livre é aquela que eu próprio fiz - começar a utilizar aplicações de software livre em Windows - Firefox, Thunderbird, GIMP, e fazer depois, naturalmente,  a transição para - ou OpenSolaris :-)

citar_paulo_vilela Entrevista a Paulo VilelaQual é a tua função na Sun e em que é que ela consiste?

Sou Arquitecto de Sistemas, com foco na Administração Pública, Saúde e Educação. Quer isto dizer que faço apresentações de tecnologias Sun, participo na elaboração de propostas complexas, e acompanho o que se passa nas áreas mencionadas. Funciono também como interface com a comunidade do software livre.

Porque é que existe alguém virado para a comunidade Open Source? Qual a importância do Open Source para a Sun?

A consultora Gartner prevê que em 2012 90 % das empresas em todo o mundo utilizem software open source. A Sun quer liderar  este movimento no campo empresarial. A Sun tem um compromisso assumido de migrar todo o seu software para Open Source, e tem estado a cumpri-lo. Esta aposta é inédita na indústria de informática e está detalhado em http://www.sun.com/software/opensource. O modelo open source, assente na colaboração, permite uma inovação e adopção mais rápida do software.  A é neste momento o maior contribuinte em linhas de código para a comunidade open-source.

Existe uma estratégia global da Sun para o Open Source? Qual?

Sim. Conforme referi anteriormente, a Sun tem um compromisso assumido de migrar todo o seu software para Open Source, e de criar comunidades para que a sua adopção seja crescente e sustentável.
Aconselho a quem queira saber mais a leitura do relatório da Gartner “Open Source at , 2008″ : http://mediaproducts.gartner.com/reprints/sunmicrosystems/article1/article1.html

Quais são os programas livres (mais populares) da Sun?

São, sem qualquer ordem,  OpenOffice.org, OpenSolaris, Netbeans, Glassfish Application Server, OpenESBOpenJDK (Java), o Virtualbox e o  MySQL

As notícias falam da perda de lucro da Sun. De que forma o Open Source pode ajudar?

A Sun está numa fase de transformação, de uma empresa com grandes margens de lucro obtidos na venda de sistemas Solaris/SPARC, para uma empresa que sem descurar essa área está agora também muito presente no mundo dos servidores x86, nas áreas do Armazenamento, dos Serviços e do Software. O software open-source tem tido um crescimento exponencial, constituindo a base tecnológica dos maiores empreendimentos do nosso mundo actual, como a Google, Amazon, e o Sapo em Portugal. É também a aposta estratégica de países em crescimento acelerado, como o Brasil, a India, a Rússia. A crescente identificação entre a e open-souce permitirá à empresa acompanhar esse crescimento.

Muitas empresas utilizam Solaris no backend. É viável substitui-los por ou OpenSolaris?

O Solaris e o OpenSolaris estão-se a tornar inseparáveis. O OpenSolaris será a distribuição mais frequente, com tónica na inovação rápida. O Solaris será a versão com foco na estabilidade e no compromisso forte de suporte aos clientes. Toda a componente GNU do também apelidado GNU/ está também presente no Solaris/OpenSolaris. A diferença principal está no kernel. O está ainda melhor preparado para toda a multiplicidade de drivers relacionados com o desktop. O Solaris está ainda melhor preparado para a estabilidade e escalabilidade requerida pelos grandes ambientes empresariais.

De que formas a Sun ajuda a comunidade? Mais especificamente a comunidade portuguesa?

Participo na direcção da ESOP - Associação de Empresas de Software Open-Source Portuguesas, em representação da .
Participo na coordenação do OpenOffice.org e da ODF Alliance em Portugal
Sou membro individual da ANSOL
Mantenho um blog, http://abretesw.blogsspot.com. Este é um blog pessoal, e não reflecte a posição da Sun,  mas apenas a minha

Qual é a tua motivação? O que te faz participar nesta comunidade e ajudá-la?

Gosto da inovação, da crista da onda, e só o software livre me permite acompanhá-la por dentro. Acredito na abertura de ideias e transparência e no desenvolvimento pela cooperação. É extremamente motivante encontrar constantemente em Portugal e em todo o mundo pessoas que partilham essas ideias e que se empenham na inovação baseada nessa cooperação. Não sou um programador. A minha contribuição faz-se mais pela divulgação, que é uma tarefa imensa. A maioria dos portugueses não faz ideia do que é o software livre e de como pode beneficiar com ele. Há muito trabalho para fazer nessa área.

O que pensas da comunidade de software livre em Portugal, do seu presente e futuro?

Penso que está em crescimento, como evidencia o nascimento da ESOP, da Associação Ensino Livre e o óptimo exemplo do Programas Livres. Mas lanço um apelo à ANSOL no sentido de se reestruturar para crescer e federar todos os movimentos algo dispersos que existem em Portugal.

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2 respostas para “Entrevista a Paulo Vilela”

  1. nelson Vinagre | 07 Jan 2009 - 1:12 |

    Boa noite,
    Era só para informar que no endereço do blog do Sr. Paulo vilela está errado , tem um ’s’ a mais. Deve ser http://abretesw.blogspot.com/, e não http://abretesw.blogsspot.com/.

    Cumprimentos e continuação do bom trabalho.

  2. João Matos | 08 Jan 2009 - 10:41 |

    obrigado nelson,

    vamos corrigir

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