Embora com uma periodicidade que não era a prevista, voltamos com mais uma entrevista.
Desta vez resolvemos entrevistar um dos nossos colaboradores, Marcos Marado, porque é com certeza um dos membros mais activos da comunidade de software livre portuguesa.
Marcos Marado, para além do PL, trabalha com outros projectos livres onde é programador e é também coordenador do DRM-PT.
Começa por nos falar um pouco sobre si.
[Programas Livres] Fala-nos um pouco sobre ti. Quem és tu, de onde vens?
Nasci em Lamego, onde vivi até aos 16 anos. Comecei a usar computadores aos quatro, idade com a qual também iniciei o meu percurso escolar. A paixão por computadores e música começou desde cedo e nunca me abandonou. Comecei a fazer alguns trabalhos relacionados com informática com 12 anos de idade. Aos 16 fui para a Universidade de Coimbra, onde fiz a Licenciatura de cinco anos em Engenharia Informática. Paralelamente trabalhei como freelancer, e depois nas empresas UniOne e Magicbrain. Tendo terminado a licenciatura em 2005, movi-me para Lisboa, onde trabalho na área de ISP da Sonaecom.
[PL] Como começaste nestas andanças do software livre?
[MM] Já antes de saber o que era ao certo Software Livre, achava que “livre” era a forma que muitas coisas deveriam ter. Talvez tenha adquirido um pouco disso na altura em que brincava com BBS’s, e em que tudo o que conseguisses arranjar era teu. Livres ou não, os conteúdos que daí vinham tinham um custo associado: a escolha, a aquisição, a aprendizagem, tudo isso vinha daquele mundo, e tudo isso era possível apenas porque o único custo que havia era a conta telefónica. Mais tarde, o conceito de freeware e shareware, e o interesse por UNIX. Com as minhas primeiras instalações de Minix, Linux e algumas variantes de BSD, apreendi também o conceito de software livre. Tudo no conceito fazia sentido, e nunca mais quis outra coisa.
[PL] Em que projectos participas?
[MM] Os conceitos de “projecto” e “participação” são muito relativos
Há muita coisa para fazer, em muitas áreas, e tento ir dando o meu contributo como posso, sempre que posso. Essa participação pode variar tanto como o facto de ter agora uma coluna quinzenal no Programas Livres e coordenar o DRM-PT, ou então o facto de manter o Mamnuts (a única base de talkers actualmente activa), tentar contribuir para o projecto Debian, libsecondlife, GNUnet…
Enfim, vou fazendo um pouco de tudo, contribuindo para os projectos em que me sentir mais motivado na altura. Sinto que qualquer uma das contribuições que faço mereciam mais tempo de mim, e essa é uma das razões pela qual nos últimos anos tenho tentado não ter “projectos meus” ou projectos que dependam demasiado da minha actividade, e, em vez disso, participar em comunidades que, em grupo, ajam numa determinada direcção.
[PL] Qual é a tua motivação?
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