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Jun 26 2008

gNewSense - a distribuição de GNU/Linux 100% livre

Publicado por Bruno Miguel em Sistemas Operativos Abertos
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O aparecimento do

 

Apesar da versão mais popular hoje em dia do sistema GNU ser o , durante muito tempo Stallman e a Free Software Foudantion não poderam recomendar uma distribuição deste sistema, por não haver uma totalmente livre. Entretanto, alguns projectos que removem o software proprietário do Linux (drivers, principalmente) começaram a aparecer. Entre eles, o Ututo, o Blag, o DyneBolic e o gNewSense. Este último é a distribuição de que uso actualmente e em que estou a escrever este texto.

O é uma distribuição de 100% livre criada pelos irlandeses Bbrazil e Ompaul e baseada no conhecido Ubuntu. Mas, ao contrário da distribuição patrocinada pela Canonical, o tem como objectivo a disponibilização de um sistema completamente livre, sem drivers e software proprietário e sem a sugestão de instalação de software não-livre.


 

O

 
Sendo baseado no Ubuntu, mais precisamente na versão Long Term Support (LTS) do Ubuntu, o oferece um sistema estável e amigável. Os utilizadores do Ubuntu, Debian e outras distribuições baseadas em Debian vão sentir-se “em casa” com o . Quem utiliza Windows também não terá problemas, já que o sistema é muito amigável e oferece um vasto leque de ferramentas populares como o OpenOffice, o Pidgin e o Gimp.

gNewSense Screenshot

Como o objectivo do é a disponibilização de um sistema operativo completamente livre, o utilizador poderá encontrar alguns ligeiros inconvenientes que em nada dificultarão a realização das suas tarefas. Um exemplo é a utilização do Gnash em vez do Flash. O Gnash é a implementação livre do Flash e ainda não está completo, por isso alguns conteúdos de alguns sites poderão não ser mostrados correctamente – por exemplo, os vídeos do Youtube. Mas, com o Totem, por exemplo, é possível ver os vídeos do Youtube sem qualquer problema.

Outro exemplo é a utilização do Epiphany, o browser padrão do Gnome que faz um excelente render dos tipos de letra, em vez do Firefox, devido a alguns problemas com a trademark da Mozilla. Mas aqui já é mais uma questão de gosto pessoal; e caso o utilizador o deseje, poderá descarregar as implementações livres do browser, IceWeasel e IceCat - ou até mesmo o próprio Firefox.

Para além das pequenas inconveniências, poderão existir algumas inconveniências um pouco maiores. Como os drivers também são software, todos os drivers proprietários são removidos, fazendo com que algum hardware possa não funcionar com esta distribuição. A culpa não é dos colaboradores do Linux ou do , mas do fabricante que não segue os bons exemplos da Intel e ATI, preferindo guardar as especificações do hardware para si e disponibilizando apenas drivers em formato binário. Se fossem disponibilizados drivers livres ou fosse permitido à comunidade aceder às especificações para criar drivers livres, este hardware funcionaria correctamente e não seria um fonte de problemas de segurança e não só.

Assim como o software deve ser livre para que o possamos melhorar, partilhar e adaptar, também os drivers devem ser livres. Se não forem livres, não podemos ter a certeza de que eles estão a usar as reais capacidades do hardware, nem conseguimos saber se eles nos estarão a bloquear algo propositadamente. A existência de drivers livres permite tirar o máximo partido do hardware.

Tal como no Ubuntu, Debian, Gentoo, PcLinuxOS, etc, os utilizadores do podem escrever textos, navegar na internet, conversar com os amigos, ouvir e editar músicas, fazer aquisição e edição de vídeo, configurar livremente o sistema, jogar, desenhar, programar, publicar artigos no seu blog, partilhar imagens com familiares e amigos. Em suma, todas as tarefas que são feitas noutras distribuições de e noutros sistemas operativos podem ser feitas no .

 

Porquê o

 
Se o utilizador tiver respeito, estima e um compromisso real com a sua liberdade, estes inconvenientes não serão motivo para evitar o , mas sim para evitar a aquisição de hardware sem drivers livres.

O facto de ser um sistema operativo que utiliza somente não quer dizer que é um sistema muito complicado que só um pequeno grupo de pessoas no mundo vai conseguir utilizar. Nada podia ser mais errado! De facto, o , como já referi anteriormente, é bastante amigável e facilita a execução das tarefas.

Tal como qualquer outro sistema, seja ele qual for, o está longe de ser perfeito. Mas tem uma vantagem em relação à grande maioria dos outros sistemas operativos e distribuições de : respeita a liberdade dos utilizadores. Por isso, deve escolher-se o ou qualquer outro sistema completamente livre para que o utilizador tenha o total controlo da máquina, e não para que a máquina controlo o utilizador.

 

, porquê?

 
Imaginem um mundo em que têm que pedir autorização a uma entidade para ver um programa de televisão. Imaginem que têm que pedir autorização para poderem falar com alguém. Imaginem que não podem fazer nada para alterar isso, porque o acesso é fechado. Imaginem que podem estar a vigiar-vos sem que vocês se apercebam. Isto é o software proprietário.

O é precisamente o contrário: podem falar com quem quiserem, podem ver o que quiserem, não são vigiados e podem participar activamente para melhorar as coisas. Têm liberdade; ninguém vos diz como devem fazer coisas, porque isso é uma decisão vossa e ninguém pode ou deve impor-vos algo que vocês não querem.

Se o Linux, por exemplo, fosse software proprietário, acham que teria chegado onde chegou? E o OpenOffice ou o Firefox? Blender, Thunderbird, VLC? Uma coisa é certa: o não é garantia de sucesso, porque isso depende da aceitação que o software tem. Mas, mesmo sem sucesso, uma aplicação pode ser usada por um pequeno grupo de pessoas, que até lhe poderão dar continuidade quando os colaboradores pararem o seu desenvolvimento. Ou até poderão, no futuro, usar o código como base para uma nova aplicação – quem sabe, até uma aplicação muito popular.

Eu fui ensinado pelos meus pais a partilhar; na escola, também me ensinaram isso. Faz parte da minha educação ajudar e partilhar algo com os meus familiares, amigos, vizinhos e até desconhecidos. Aprendi a viver em comunidade e promovo essa vivência, porque em comunidade chegamos mais longe que sozinhos ou em grupos restritos que não nos permitem ter opinião ou pensamento livre. Como acham que a humanidade chegou onde chegou? Com cada um virado para o seu lado ou em grupo?

Se o pensamento é livre, também o software o deve ser! Se temos liberdade de expressão, também devemos ter liberdade para partilhar o código do software! Se vivemos em democracia porque damos valor à nossa liberdade, também devemos utilizar em nome dessa liberdade!

 
 
Referências:
http://www.gnu.org/philosophy/free-sw.html
http://www.gnu.org/philosophy/philosophy.html
http://www.gnewsense.org/Main/Features
http://www.gnewsense.org/index.php?n=FAQ.FAQ
http://www.gnu.org/gnu/thegnuproject.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/Free_Software_Foundation
http://pt.wikipedia.org/wiki/Richard_Stallman
http://pt.wikipedia.org/wiki/Manifesto_GNU
http://pt.wikipedia.org/wiki/Kernel
http://pt.wikipedia.org/wiki/Hacker
http://pt.wikipedia.org/wiki/Linux

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