Nov 18 2008

Marcos Marado e Paula Simões falam sobre direitos de autor, DRM e Creative Commons

Published by Bruno Miguel under notícias livres

Um dos nossos colaboradores, o Marcos Marado, juntamente com a sua noiva e futura esposa, Paula Simões, foram convidados a participar no Triplo Expresso para falar de de autor, e da .

Não posso aferir da qualidade deste programa do porque ainda não o ouvi. Mas se a participação do Marcos estiver ao mesmo nível dos posts que publica aqui no Programas Livres, e a da Paula mantiver a qualidade patente no seu blog, então temos um programa muito bom.

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Nov 07 2008

[Actualizado] Bug permite contornar DRM no HTC G1

Published by Bruno Miguel under notícias livres

Actualização: O Google está a par deste e já está a preparar uma correcção para ele. A única forma conhecida de contornar o do HTC G1 vai ficar, assim, tapada.
via Rui Seabra @Identi.ca

No , o vem com , pois não permitia que uma série de tarefas fosse executadas em nome do fantasma da segurança. Claro que, como se sabe, não permitir uma série de acções, como alterar os privilégios de uma pasta, não é sinónimo de segurança. Isto tornou o software não-.

Prova de que isto não é sinónimo de segurança é o facto de ser possível conseguir privilégios de root (acesso total) no através de uma falha no programa PTerminal. Basta o utilizador iniciar o daemon de na directoria de sistema do telemóvel e aceder, do computador para o telemóvel, por para conseguir acesso root. Mesmo com isto, o continua lá, tornando a compra do algo não recomendado.

via LinuxProMagazine

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Oct 24 2008

Sistema de DRM livre poderá estar a chegar

Published by Bruno Miguel under notícias livres

Não será um sistema de digitais (), mesmo como o , algo nefasto para os utilizadores? A Marlin, um grupo que tem o apoio da Intertrust, Panasonic, Philips, Samsung e Sony, parece pensar que não. De acordo com eles, um sistema permitirá aos utilizadores, não aos dispositivos, possuir os conteúdos.

Neste tipo de estou sempre com um pé atrás, mesmo que seja uma solução ou apenas anunciada como tal. Não serão este tipo de sistemas nefastos para os utilizadores, independentemente do código - ou apenas parte dele - ser ou proprietário?

{via PCPro UK}

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Sep 15 2008

DRM do futuro poderá ser baseado em domínio

De forma a evitar a pirataria, muitas companhias insistem em colocar este tipo de tecnologia nos seus produtos, sejam eles musicas, vídeos ou . Apesar de ser uma forma pouco eficaz de combater a pirataria e que chega mesmo a reduzir as vendas, este tipo de tecnologia só traz problemas a quem adquire o conteúdo legalmente, já que o conteúdo só é reproduzido em equipamentos autorizados. Além disso, quem paga pelo conteúdo é tratado da mesma forma caso o tivesse adquirido de forma ilegal, o que leva a que muitos consumidores evitem a compra de produtos com este tipo de tecnologia, tal como esta a acontecer com o .

De modo a evitar os problemas actuais do está a ser criado um consorcio, o – Digital Entertainment Content Ecosystem, que conta com uma número significativo de empresas desde fabricantes de hardware, estúdios de cinema e produtoras discográficas que pretende criar a nova geração de , o baseado em domínio. Segundo os representantes do consórcio, este tipo de tecnologia permitirá a interoperabilidade entre dispositivos e websites e as regras de uso que permitem ao utilizador copiar o conteúdo para dispositivos localizados em casa e mesmo gravá-los para suportes físicos. O plano é atribuir ao consumidor uma livraria virtual, onde se encontra todo o conteúdo digital, que pode ser acedida por este de um modo semelhante ao e-mail.

Claro que este não seria o caminho ideal a seguir mas já é uma melhoria significativa ao modelo actual, o ideal seria mesmo por de lado este tipo de tecnologia e passar a utilizar abertos e sem qualquer tipo de restrição para os utilizadores.

{via Reuters}

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Sep 14 2008

Uma alternativa ao serviço de aluguer de músicas da TMN

Published by Bruno Miguel under notícias livres

Aproveitando o último post do sobre o serviço de aluguer de músicas da , venho falar-vos (ou será escrever-vos?) de um serviço que realmente vende músicas, sem que sejam obrigados a gramar com . Esse serviço é o . Algumas das suas características são:

  • comercialização das músicas em livres, sejam eles lossy ou lossless ( e );
  • possibilidade de ouvir um álbum antes de o comprar;
  • possibilidade de licenciar as músicas sob licenças livres, como a , para que possam ser usadas sem qualquer problema em projectos não comerciais;
  • podem legalmente partilhar qualquer ou álbum que adquiram com até três amigos;
  • se necessitarem de voltar a descarregar uma que compraram, apenas precisam de fornecer o vosso email para terem uma nova cópia sem terem que a pagar outra vez;
  • podem escolher o preço que querem pagar por cada ou álbum.

Bem mais interessante e honesto que o serviço da , não é? Em vez de gastarem o vosso dinheiro no serviço de aluguer de músicas da , adquiram-nas no Magnatune ou num serviço semelhante.

Por falar em serviços semelhantes ao , se conhecerem algum, deixem-no nos comentários.

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Sep 13 2008

DRM: TMN e Electronic Arts

Published by Marcos Marado under Direitos Digitais

O tema já aqui foi debatido diversas vezes. Um resumo: chama-se a um conjunto de tecnologias, entre as quais as tecnologias contra a cópia, que, quando aplicadas a um produto, restringem o comprador desse mesmo produto da sua em fazer o que quiser com o mesmo, e dos que tem sobre ele. Mas tive de voltar a trazer o tema à baila, graças a dois eventos distintos que ocorreram nos últimos quinze dias.

A decidiu recentemente lançar uma campanha publicitária sobre um novo serviço que têm, anunciando-o como um produto, e com alguns erros. Assim, para o bem dos leitores do , aqui fica a correcção:

tmn scam
  • O serviço que a está a disponibilizar permite-vos alugar , e enquanto continuarem a pagar o serviço poderão usufruir da , mas assim que deixarem de pagar, a deixa de ser reproduzível. Assim, trata-se de um serviço de aluguer e não de compra.
  • O serviço não permite o aluguer de ficheiros MP3, tal como anunciado: os ficheiros, num outro formato e com outras tecnologias embebidas - incluindo um sistema de - só tocarão em computadores com o sistema operativo Windows, e apenas no leitor de Windows Media Player. Não tocará no vosso leitor de mp3, ou no vosso programa de reprodução de favorito, caso este não seja o Windows Media Player.

Já no mercado internacional, a Electronic Arts lançou o mui falado ”.

Spore

A sátira apresentada nesta tira do Penny Arcade reflecte as preocupações que a comunidade de gamers começou a demonstrar assim que soube que este ia ser lançado com um sistema de , presumidamente para evitar a pirataria. Em Maio passado uma representante da Electronic Arts explicou o que é que este sistema de iria ou não fazer, e o que é que os consumidores iriam ou não poder fazer. Alguns dos aspectos são:

  • Não é permitida a cópia privada do DVD em que o é comprado
  • Não é permitido jogar o sem que o DVD esteja inserido
  • O só é instalável três vezes

Agora que o foi lançado, o feedback tem sido extremamente negativo: não só pelo facto do jogo não cumprir com as espectativas criadas, mas principalmente porque o jogo tem DRM. À ZDNET, 95% dos leitores disse que não compraria um jogo com DRM, mas na Amazon o levou o produto a estar classificado com nota mínima.

spore-amazon

Serão os ouvintes Portugueses tão astutos como os jogadores a nível mundial?

spore-amazon-review
mmarado DRM: TMN e Electronic Arts Marcos Marado escreve no
ao Sábado sobre Digitais.
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Sep 10 2008

Spore faz criação… de DRM

Published by Bruno Miguel under notícias livres

Imaginem que vão a um centro comercial e o segurança que está à entrada vos diz: «Só pode entrar se levar consigo esta pulseira electrónica que nos permite saber onde está e só pode entrar em duas lojas, com pena de ser preso se ultrapassar este limite.». Vocês entravam nesse shopping ou mandavam-no à fava e iam a outro onde pudessem entrar livremente, sem dispositivos de localização e limites ridículos ao número de espaços que podiam frequentar? Eu ia logo a outro e parece-me que vocês também fariam o mesmo, a não ser que tivessem mesmo que lá ir.

E se algo semelhante fosse aplicado nos ? Como é um , não devem dar tanta importância. É só um , não é? O problema é que são muitos . O mais recente exemplo é o , um da Electronic Arts que vem com um sistema de digitais ( ou Digital Restrictions Managment) que só permite que cada utilizador o active 3 vezes - ou seja, só pode ser instalado três vezes com o mesmo serial number. Isto não é diferente do segurança a colocar-vos a pulseira electrónica, como se fossem um criminoso, e a limitar o número de lojas onde podem fazer compras ou simplesmente observar a montra.

O já falou deste problema na entrevista que gentilmente cedeu ao Programas Livres. Quando se trata do “mundo digital”, não defendemos os que normalmente tentaríamos manter ou assegurar no mundo dito real, e confiamos cegamente, algo que no nosso dia-a-dia não fazemos. Esquecemos-nos que o tal mundo digital não é mais que uma extensão do real e isso traz consigo consequências nefastas a curto, médio e longo prazo.

As pessoas têm uma percepção diferente das coisas quando elas se encontram em formato digital.

Já não bastava o ser proprietário, também vem “infestado” com um sistema que vos trata como criminosos até prova em contrário e que vos poderá trazer diversos problemas legais se o quebrarem para poderem instalar o mais de três vezes, algo a que normalmente teriam direito. A escolha de comprar ou não este e outros proprietários é sempre vossa, mas aconselho-vos a não fazê-lo se não quiserem um sistema de a impedir-vos de exercer os vossos e a tratar-vos como criminosos.

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Sep 06 2008

Entrevista com Marcos Marado

Published by João Matos under entrevista

marcos maradoEmbora com uma periodicidade que não era a prevista, voltamos com mais uma .

Desta vez resolvemos entrevistar um dos nossos colaboradores, , porque é com certeza um dos membros mais activos da comunidade de portuguesa.

, para além do , trabalha com outros projectos livres onde é programador e é também coordenador do -PT.

Começa por nos falar um pouco sobre si.

[Programas Livres] Fala-nos um pouco sobre ti. Quem és tu, de onde vens?

Nasci em Lamego, onde vivi até aos 16 anos. Comecei a usar computadores aos quatro, idade com a qual também iniciei o meu percurso escolar. A paixão por computadores e começou desde cedo e nunca me abandonou. Comecei a fazer alguns trabalhos relacionados com informática com 12 anos de idade. Aos 16 fui para a Universidade de Coimbra, onde fiz a Licenciatura de cinco anos em Engenharia Informática. Paralelamente trabalhei como freelancer, e depois nas empresas UniOne e Magicbrain. Tendo terminado a licenciatura em 2005, movi-me para Lisboa, onde trabalho na área de ISP da Sonaecom.

[] Como começaste nestas andanças do ?

[MM] Já antes de saber o que era ao certo , achava que “” era a forma que muitas coisas deveriam ter. Talvez tenha adquirido um pouco disso na altura em que brincava com BBS’s, e em que tudo o que conseguisses arranjar era teu. Livres ou não, os conteúdos que daí vinham tinham um custo associado: a escolha, a aquisição, a aprendizagem, tudo isso vinha daquele mundo, e tudo isso era possível apenas porque o único custo que havia era a conta telefónica. Mais tarde, o conceito de freeware e shareware, e o interesse por UNIX. Com as minhas primeiras instalações de Minix, Linux e algumas variantes de BSD, apreendi também o conceito de . Tudo no conceito fazia sentido, e nunca mais quis outra coisa.

mm_sel Entrevista com Marcos Marado[] Em que projectos participas?

[MM] Os conceitos de “projecto” e “participação” são muito relativos :-) Há muita coisa para fazer, em muitas áreas, e tento ir dando o meu contributo como posso, sempre que posso. Essa participação pode variar tanto como o facto de ter agora uma coluna quinzenal no Programas Livres e coordenar o -PT, ou então o facto de manter o Mamnuts (a única base de talkers actualmente activa), tentar contribuir para o projecto Debian, libsecondlife, GNUnet…

Enfim, vou fazendo um pouco de tudo, contribuindo para os projectos em que me sentir mais motivado na altura. Sinto que qualquer uma das contribuições que faço mereciam mais tempo de mim, e essa é uma das razões pela qual nos últimos anos tenho tentado não ter “projectos meus” ou projectos que dependam demasiado da minha actividade, e, em vez disso, participar em comunidades que, em grupo, ajam numa determinada direcção.

[] Qual é a tua motivação?

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Aug 30 2008

O negro futuro do direito à cópia

Published by Marcos Marado under Direitos Digitais

Quando se fala de de autor em Portugal, ou do (copyright) nos países onde é esse o direito instituído, tipicamente atropelam-se aquelas que realmente deveriam ser as partes interessadas: autores, consumidores e a sociedade no geral. Num retrato negro daquele que poderá bem ser o futuro mundial - e em muitos aspectos para lá estamos a caminhar - Gerd Leonhard, um palestrista de renome e defensor da cultura - escreveu uma história ficcional, esperemos, sobre aquele que poderá ser o nosso futuro, quanto ao na , e qual o seu impacto em toda a sociedade. Em particular alerto-vos para terem em mente que, em isto sendo aplicado, tudo aquilo que é hoje passível de ser abrangido pelas leis de , como software, livros e imagens, poderá facilmente sofrer da mesma pena.

Assim, e como felizmente ainda existe cultura e o artigo foi coberto por uma , deixo-vos uma tradução de alguns excertos desse artigo, recomendando a sua leitura no original e na íntegra. Vamos ficar de braços cruzados e esperar que o futuro aconteça?

em 2015 - Totalmente Segura, Realmente (tipo… completamente) Rara e Muito Muito Valiosa (outra vez)

Atenção: isto é ficção. Por agora.

1 de Junho, 2015

Os esforços herculeanos dos mais eminentes legítimos proprietários dos musicais e propriedade intelectual, representados pela RIIAFPIAAMP (a englobadora organização de produtores de conteúdos conduzida pelo ex-presidente dos Estados Unidos George ‘Hard Work’ Bush, de quem os conhecidos gritos de batalha “Temos o direito de sermos pagos um pouco melhor, carago” e “-de-autor-são-algo-pelo-que-vale-a-pena-morrer” se podem encontrar agora em canecas e muppies à beira da estrada) e os seus numerosos aliadados executores da lei, as forças militares e os experts anti-terroristas de topo de todo o mundo venceram finalmente. A é agora 100% rara outra vez, e a ameaça dos jovens criminosos e dos auto-proclamados “Nativos Digitais” usufruindo da através da Internet sem foi erradicada.

A Guerra à foi custosa, sem dúvida biliões de Dólares Americados, Euros, Yens e Rupias foram dispendidos e alguns danos colaterais foram também absorvidos, mas finalmente a batalha foi vencida pelos líderes por direito das corporações industriais globais da - e a é, uma vez mais, totalmente e permanentemente segura e sob o exclusivo e inviolável controlo dos detentores de . O é sagrado outra vez - haleluia.

Nenhum dispositivo pode tocar qualquer a não ser que tenha sido autorizada pela Central Music Device Approval Authority em Londres. Todos os dispositivos de gravação de são proibidos, ponto final, e licenças especiais são necessárias para poder sequer mencionar a sua existência. Equipas robotizadas de controlo de dispositivos patrulham metropolitanos, clubes, bares e escolas por todo o mundo, à procura de pings RFID de qualquer dispositivo que possa ser usado para roubar. A não ser que um dispositivo esteja devidamente autorizado a tocar , um utilizador que tente fazê-lo irá obter uma gravação em loop de uma mensagem a alertá-lo para o facto desse dispositivo ser ilegal e que ele deve terminar as suas actividades imediatamente.

Prevericadores recorrentes que não cumpram os avisos poderão sofrer de fortes queimaduras nos dedos, cortesia do novo hardware e software QueimaEssesLadrões que está agora embebido em todos os dispositivos audio, tornando esses criminosos facilmente identificáveis à MP7 global (Music Protection Prevention Prohibition Purposeful Peer Panic Production) que se instalou depois da aprovação da Criminal Music Consumption Act (CMCA) ter sido aprovada em 2011. Hospitais em todo o mundo estão a colaborar em pleno.

[...]

mmarado O negro futuro do direito à cópia Marcos Marado escreve no
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Jul 05 2008

Restrições Digitais de Direitos (DRM)

Published by Marcos Marado under Direitos Digitais

Já se falou do termo diversas vezes aqui pelo Programas Livres. Mas o que é isso?


Quando compra um carro, ele é seu. Pode fazer o que quiser com ele: conduzi-lo, abri-lo, desmontá-lo… O que quiser, logo que não cometa com ele nenhuma ilegalidade. Quando compra um copo, ele é seu: pode usá-lo quantas vezes quiser, dá-lo, parti-lo, usá-lo para beber ou para fazer dele uma escultura. O que quiser - é seu. Mas… o que acontece quando compra, por exemplo, um CD?

Felizmente a sigla já não é totalmente desconhecida do consumidor, mas, ainda assim, ele tipicamente não sabe a que se refere. é uma sigla, significando formalmente, Digital Rights Management, mas, mais apropriadamente, Digital Restrictions Management, ou, em Português Gestão Digital de . Termos como protecção contra cópia normalmente referem-se a estas tecnologias. O é uma espécie de “método anti-roubo” como aqueles que existem em algumas lojas, em que um alarme dispara se saires da loja com algo sem pagar. Mas será apenas isso?

Como o seu nome indica, a gestão de digitais aplica-se somente aos meios digitais. O conteúdo digital tem ganho popularidade sobre o conteúdo analógico por dois motivos: o primeiro deve-se ao facto das vantagens técnicas associadas com a sua produção, reprodução e manipulação e o segundo porque, na maioria das vezes, a qualidade é superior em relação ao analógico. Desde o nascimento dos computadores pessoais, os arquivos de conteúdo digital tornaram-se um meio fácil de fazer cópias de modo ilimitado sem aparecer qualquer perda na qualidade das cópias subsequentes. Muito conteúdo analógico perde qualidade com cada geração copiada e frequentemente durante o seu uso normal. A popularidade da Internet e das ferramentas para partilhar arquivos simplificou a distribuição de conteúdo digital.

A disponibilidade de múltiplas cópias perfeitas de material sujeito a de autor foi entendida pela indústria como um golpe ao seu modelo de negócio, em especial dentro da indústria fonográfica, cinematográfica e dos electrónicos. Aqueles que publicam material digital têm modelos de negócio que recaem na habilidade de obter lucro por cada cópia feita do trabalho digital, e algumas vezes por cada execução daquele material. O foi criado e planeado por essas empresas e indivíduos, ainda oferecendo o conteúdo digital, mas com medidas para permitir o controle da duplicação e disseminação do seu conteúdo.

O não protege Autores nem Consumidores - apenas a Indústria.

Mas qual é o problema com o ?

As grandes corporações descrevem as tecnologias como tecnologias de “Gestão de ”, mas, na realidade, estas tecnologias fazem gestão de .

Pegando na analogia anterior, a dos alarmes nas portas das lojas, e como ainda é possível “roubar” músicas e filmes depois de os ter comprado, os alarmes terão de ser colocados na porta de entrada da sua casa. E na sua porta das traseiras. E na porta da garagem. E na do arrumo. E em cada uma das passagens de ar para ventilação. Pode parecer caro instalar todos estes alarmes, mas não se preocupe: é a sua casa e portanto não serão as lojas a pagar por esses alarmes, é você que os vai instalar em sua casa. Vem com o privilégio de ouvir a ou ver o filme que comprou. Ter de dizer “sim, vou instalar estes alarmes”.

Mas estas tecnologias não fazem apenas soar um alarme quando você tenta roubar algo. Elas tipicamente:

  • detectam quem acede a cada obra, quando e sob quais condições, e reportam essa informação ao provedor da obra
  • autorizam ou negam da maneira irrefutável o acesso a obra, de acordo com as condições que podem ser alteradas unilateralmente pelo provedor da obra
  • quando autorizam o acesso, fazem-no sob condições restritivas que são fixadas unilateralmente pelo provedor da obra, independentemente dos que a lei fornece ao autor ou ao público

As tecnologias podem controlar os consumidores restringindo-lhes o acesso a filmes, , literatura e software, ou, mais precisamente, todo e qualquer formato de dados digital.

Numa loja, se for apanhado a roubar você pode ser enviado à prisão. No caso do , apenas lhe confiscam aquilo que, segundo os alarmes, tentou roubar. Eles não ouvem a sua explicação, não lhe deixam falar com a gerência da loja. Confiscam o que roubou e deixam-no prosseguir o seu caminho. O problema aqui é que você não sabe o que faz os alarmes disparar. E não pode reclamar se achar que o alarme não devia ter disparado. Não pode dizer “não quero alarmes em minha casa” - a não ser que queira abdicar, sem receber o dinheiro de volta, de aquilo que comprou.

Mas lembre-se: você tem uma escolha. Não comprar produtos com .

Mas… Se o é assim tão mau, porque existe?

O é mau para ambas as pontas da cadeia de valor: o produtor e o consumidor. No entanto o intermediário tem muito a ganhar com isto. Peguemos no exemplo da : A indústria discográfica quer controlar a distribuição da sua . Eles querem chegar ao maior número possível de pessoas, mas querem receber dinheiro de cada uma delas. Como isso implica saber como é que usa a que comprou, eles decidiram que era interessante se pudessem cobrar por cada tipo de uso que dá à sua : se a quiser ouvir no computador compra de uma forma, se quiser ouvir no seu carro terá de a comprar de outra forma, se ainda a quiser ter no seu leitor de mp3, terá de adquiri-la outra vez. Com a queda das vendas de , cobrar mais àqueles que pagam por ela ainda se lhes afigurou mais atractivo. Mas a já não era sua? Não podia fazer com ela o que quisesse? Na realidade não: se compra um CD mas não o consegue copiar, se compra uma em formato digital mas não a consegue tocar no seu leitor demp3, então ela não é verdadeiramente sua: quando a comprou, foi-lhe forçado, com ela, um conjunto de .

Uma posição comum sobre este tema é “pois, isso realmente não é bom, mas a mim não me afecta, por isso não quero saber”. Mas isso pode sair-lhe gorado: um bom exemplo é o recente caso da Microsoft.

Em 2004 a Microsoft criou uma loja online chamada “MSN Music”, cuja era vendida com um sistema de chamado PlaysForSure. Em 2006 a Microsoft fechou a loja, e abriu uma outra, chamada Zune Marketplace, com outro sistema de . Aqueles que compraram músicas na primeira loja, têm agora de requisitar licenças para ouvir a que já compraram: têm direito a cinco licenças, que terão de ser inseridas em cinco instalações do Microsoft Windows. Recentemente a Microsoft anunciou que, a partir de 1 de Setembro, as músicas por eles compradas só tocariam nas instalações de Microsoft Windows onde estão as licenças. Se tivessem de reinstalar o sistema operativo, ou actualizar a sua versão (do Windows XP para o Windows Vista, por exemplo), perderiam a , deixando de poder ouvir a que já compraram. Ah, e se tentassem, mesmo que não conseguissem, “enganar os alarmes”… estariam a cometer uma ilegalidade. Depois de todas as reacções a este anúncio, invariavelmente negativas, a Microsoft voltou atrás: uma boa mostra de como a comunidade online consegue defender-se e pressionar corporações como esta. Mas as notícias não são muito animadoras: eles prometem adiar este prazo de 1 de Setembro para algures em 2011, onde irão decidir de que forma agir. Adiam assim o problema, na esperança que o assunto caia no esquecimento. Mas, para quem comprou lá, não está à espera que ela “dure mais três anos”: devia ter o direito a poder tê-la, para sempre.

E agora? Volta a comprar produtos com ?

Para saber mais sobre este assunto, incluindo como ajudar a combater estes sistemas, dirija-se ao site do DRM-PT.

mmarado Restrições Digitais de Direitos (DRM) Marcos Marado escreve no
ao Sábado sobre Digitais.
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