Jan 04 2009

Direitos Digitais em 2008

Published by Marcos Marado under Direitos Digitais

Um dia depois do usual, o primeiro artigo da secção “ Digitais” em 2009 é uma resenha do que se foi falando em , para que os assuntos não caiam em esquecimento.

A coluna começou com uma reflexão sobre o que é a 2.0, falando do perigo existente em muitas das aplicações com os seus que, muitas vezes, vos levam a assinar contratos em branco. Mais tarde voltámos a falar de , desta vez no seu uso em software.

Abordou-se também o assunto do : começando por um artigo que explica o que é o DRM e porque é ele mau, tentámos prever o futuro, falámos sobre a revolta com o Spore, uma das vezes falando também da campanha enganosa da TMN - sobre este assunto podem ainda ler um recente artigo sobre a opinião da DECO quanto aos serviços de venda online de música em formato digital em Portugal. O primeiro telemóvel com o tão-esperado , o , saiu no mercado mas também ele com , que foi rapidamente contornado. Refereiu-se um podcast onde Direitos de Autor, DRM e Creative Commons, e a condenação da Apple pela EFF ao uso de DRM. A iniciou uma campanha de 35 dias contra o DRM, e o -PT tem acompanhado a campanha.

Falámos sobre : o Governo Português optou por software proprietário Norte-Americano para garantir a nossa Defesa, mas desconfia dos seus próprios cidadãos, impondo-lhes um sistema de vigia, violando assim a de todos os internautas Portugueses. Também no Reino Unido a Privacidade ficou em jogo, lutou-se para bloquear a “resposta gradual”, em particular a remoção da emenda 137. Infelizmente essa emenda acabou por ser removida, e um reforçado plano de combate ao ciber-crime põe em pedigo a privacidade dos cidadãos Europeus.

Falámos ainda de duas iniciativas comunitárias: o Superstruct que reuniu quem quisesse num jogo cujo objectivo seria descobrir várias formas de melhorar o mundo, e sobre as Creative Commons, num registo tanto escrito como áudio.

E 2009, que nos reservará?

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Dec 20 2008

Em defesa dos Direitos Digitais

Published by Marcos Marado under Direitos Digitais

Talvez tivesse sido altura mais propícia para este artigo o início da minha contribuição para o Programas Livres. Sinto que não: a coluna “ Digitais” foi-se definindo ao longo do tempo, e hoje sei melhor do que na altura de que se trata esta coluna, quais são os seus objectivos, e o que me leva a continuar a escrevê-la.

Num site como Programas Livres, onde se escreve sobre no software, é importante deixar a mensagem do porquê do software livre, e, num âmbito mais generalista, da que temos, para usar ou para perder, no uso das novas tecnologias e na “sociedade de informação”. Pretendo, no próximo número desta coluna, que será o primeiro de 2009, escrever um artigo em jeito de resumo, referindo-me ao que foi sendo falado por cá em . Mas para terminar o ano, prefiro tentar transmitir uma mensagem: a de que a é Humana, é um conceito criado por nós, e que é a nós que cabe defendê-la ou perdê-la. Não há diferença entre o software livre e o software proprietário, não na sua componente de software, mas há sim na sua componente humana. É o Homem que decide restringir ou não o software, e é o Homem que se vê restrito - ou não - de fazer com ele o que quiser. Assim, parece-me importante que não se tome uma atitude meramente passiva em relação a todas estas questões, pois - no fundo - somos nós que fazemos a sua história. A inacção, por vezes, pode ser tão forte como a acção.

Assim, e a jeito de exemplo, falar-vos-ei a mais recente iniciativa do DRM-PT: a “35 dias contra o DRM, a acompanhar a campanha internacional com o mesmo objectivo, esta última definida pela Defective By Design. Nesta , tenta-se sensibilizar os cidadãos quanto à problemática do , dando exemplos práticos de produtos ou serviços que, graças ao , imponham à dos seus consumidores. Apela-se assim à informação e ao boicote a este tipo de produtos.

Dia 1,

Os novos computadores têm um chip que previne alguns tipos de monitores de serem usados, numa tentativa de evitar o conteúdo analógico. Dispositivos como o HDfury conseguem dar a volta a esta restrição, mas isto aumenta o custo e a inconveniência daquilo que devia ser um procedimento simples. [mais informação aqui]

Dia 2,

A está a oferecer um serviço de stream de filmes, sem custo extra, com vários dos seus planos de aluguer de DVDs. Este serviço, que requer as tecnologias Windows Media Player e Microsoft Silverlight para poder ser usado, usa para limitar a visualização dos conteúdos a dispositivos “autorizados”, como a set top box, a consola Microsoft XBOX 360 e computadores que tenham os sistemas operativos Microsoft Windows ou Mac OS X instalados. [mais informação aqui]

Dia 3,

Da prisão de Dmitry Sklyarov em 2001 até ao nosso protesto na Boston Public Library no início deste ano, a questão do nos eBooks e audiobooks não é nova. A continua a impingir nos patronos das bibliotecas e nas próprias bibliotecas. [mais informação aqui]

Dia 4,

Para os que não sabem ou não se recordam dos problemas do infectado por , BBC , aqui fica um pequeno resumo.

Dia 5, Music e Music

Durante este ano assistimos ao fecho de vários serviços com — primeiro foi o Music, que foi seguido pelo Music. No final, a deu um reembolso aos utilizadores do serviço, mas isso não impediu as pessoas de verem o grande problema do encerramento de serviços que impingem . A Microsoft e a nem sequer estão a fechar portas, mas fecharam os seus serviços de . O Google fez o mesmo com a sua loja de vídeo. [mais informação aqui]

Dia 6,

A Microsoft está a usar para impedir os seus utilizadores de gravar certos programas para o seu computador. Gravar estes programas é uma funcionalidade normal que vem com o , mas eles barraram-lhe a “entrada” para os programas da NBC e outros. Eles alegam que estão apenas a cumprir as normas da FCC — mas o Second Circuit Court of Appeals decidiu que a FCC não tem qualquer autoridade para impor este tipo de regulações. A verdade é que a Microsoft está sedenta de poder e a fazer uso do em toda e qualquer situação e altura para segurar acordos de distribuição de conteúdos para eles, ao mesmo tempo que fecham os seus clientes no serviço. [mais informação aqui]

Dia 7,

começou a vender com , iniciou uma guerra com a , abandonou os seus fãs com soluções que não funcionam, e insiste em tratar os fãs de amigos, mesmo quando eles dizem “eu costumava ser fã de — não direi amigo porque ninguém trata os seus amigos assim”. [mais informação aqui]


Mais dias virão. Cabe a vocês fazerem a vossa parte, que passa por votar com a carteira.


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Nov 22 2008

Mobilizem-se para bloquear a “resposta gradual” do Sarkozy no Conselho Europeu!

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Há algumas semanas atrás, a Francesa instalando uma “” contra os utilizadores da foi aceite pelo Senado Francês. Nessa , uma autoridade administrativa manda, sem julgamento qualquer, cortar o acesso à (sem possibilidade de subscrição a um novoserviço de acesso) a alegados partilhadores de ficheiros. Nicolas Sarkozy mostrou uma forte determinação em impor este esquema em toda a , usando a presidência Francesa da . No entanto, a emenda 138 à de regulação de telecoms Europeia (”Pacote Telecom#), decidiu com 88% dos votos cortar as asas a esse projecto. Isso é a razão pela qual provevelmente o está agora prestes a remover esta emenda numa decisão que irá ocorrer a 27 de Novembro. O Programas Livres convida todos os cidadãos Europeus a escrever para os seus representantes no Conselho e pedir-lhes para manter a emenda 138 no “Pacote”. A sua remoção iria significar uma enorme falha na Europeia, para o interesse único dos lóbis da indístria de entretenimento.

O sonho de Sarkozy impedido pela emenda 138

Assim que se tornou Presidente Francês, Nicolas Sarkozy mostrou uma obsessão: lutar contra a de ficheiros na cortando a ligação à de todos os alegados incumpridores, logo que tivessem sido avisados duas vezes - a “” também referida como “três vezes e estás fora”. Este projecto encontrou considerável oposição.

Assim que o rascunho da apareceu em França, várias emendas foram introduzidas de forma encoberta do “Pacote Telecoms”. Graças à mobilização dos cidadãos Europeus, provisões ameaçando a “Neutralidade na ”, enfraquecendo a protecção de dados pessoais e a , ou erguendo as fundações para uma aproximação “três vezes”, foram destacadas, confirmadas por uma forte anãlise do Supervisor da Protecção de Dados Europeu (EDPS).

As ameaças continuam presentes no texto votado pelo Europeu na sua primeira leitura (Universal services, Artigo 33 (2a) e Artigo 20 (2), e directiva Framework artigo 8(4g) e Anexo 1, ponto 19 da directiva de Autorização). No entanto, estas ameaças foram evitadas por importantes salvaguardas para o utilizador, notavelmente a Emenda 138 da directiva Framework, suportada por uma grande maioria vinda dos diversos Partidos − 88% dos Membros do Parlamento Europeu (MEPs).

“Para serem efectivas, as medidas acusatórias e punitivas da “” deveriam sobrepor-se à autoridade judicial. Isso é claramente demonstrado pela Francesa, establecendo uma nova autoridade administrativa, punindo utilizadores da com raro espaço para qualquer recurso num tribunal, logo que o danotenha sido feito com o corte do seu acesso à . O objecto de uma emenda 138 é apenas uma lembrança do a julgamento.”

, explica Jeremie Zimmermann, co-fundador da Quadratura da Net.

Uma tentativa de evitar a Europeia

A meados de Outubro, N.Sarkozy escreveu ao Presidente da Comissão Euripeia, José Manuel Barroso, pedindo-lhe para remover a emenda 138 do texto que tem agora de ser acordado pelo . Barroso rejeitou o pedido. O próximo passo para o procedimentode co-decisão da UE será a primeira leitura pelo Conselho, onde ministros dos 27 Estados-Membro terão de ser convencidos pelo Presidente Francês, a 27 de Novembro.

Caso a emenda 138 seja removida do Pacote Telecoms pelo Conselho, isso iria mostrar a toda a que a estrutura tecnocrática pode ser usada pelo ramo executivo para ultrapassar a expressão democrática do . Tal aceitação da vontade de Nicolas Sarkozy, para servir o interesse de alguns lóbis das indústrias de entretenimento, seria um exemplo muito triste da derrota da Europeia.

A dos cidadãos Europeus a Sarkozy através do Conselho

O Programas Livres apela a todos os cidadãos Europeus a contactar os seus ministros e parlamentos nacionais para informá-los e para exigir deles uma posição transparente sobre os princípios fundamentais democráticos relembrados pela emenda 138.

Apesar de Bruxelas aparentar estar determinada a manter a emenda, Sarkozy está a fazer de tudo para convencer os Ministros Europeus a removerem essa emenda.

Como conclui Zimmermann,

No decorrer do ‘Pacote Telecoms’, os cidadãos Europeus atingiram já alguns resultados tremendos: expôr este projecto-, alertando os MEP para que eles possam entender o que estava em jogo, apontar para as ameaças escondidas e para o que poderiam ser salvaguardas, etc. Pessoas de muitos países Europeus já se juntaram a este esforço. Mostraram a face da actual Europeia. E fazem-no apesar das manobras daqueles que são incontáveis ao nível Europeu: e lóbis da indústria de entretenimento. Agora, os Europeus terão de se fazer ouvir mais alto!”


Junta-te à campanha!

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Nov 08 2008

Creative Commons - Uma Cultura de Partilha

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A está a fazer a sua para doações para , e para celebrar a foi feito um pequeno filme chamado “A Shared Culture”. Sendo também ele licenciado em , tomei a de fazer uma tradução livre do filme, e com ele fazer este texto.

O que significa ser humano se não tivermos uma cultura de ? E o que significa uma cultura de se não a pudermos partilhar? Foi apenas nos últimos 100 ou 150 anos que começámos a restringir fortemente a forma como a cultura é usada. Hoje, a formou uma infrastrutura onde qualquer pessoa pode participar sem pedir permissão. Temos todas estas novas tecnologias que permitem às pessoas expressarem-se, ter controlo sobre os seus próprios impulsos criativos, mas a está a meter-se no caminho. A está desenhada para salvar o mundo da frustrada.

Há aqueles que realmente querem partilhar as suas obras, que as colocam na porque as querem partilhar em determinados termos. Por isso criou-se uma forma mais simples dos criadores dizerem ao mundo “aqui está a que eu quero que a minha obra criativa tenha, aqui estão as coisas que vocês podem fazer com ela”. Posso reproduzi-la? Posso copiá-la? Posso colocá-la no meu livro? Posso usar essa fotografia? Posso fazer uma nova versão dela?

A dá ferramentas aos criadores para tomarem uma escolha quanto aos de autor. As podem cobrir tudo aquilo que é coberto pelo de autor. Todas as dizem “tens de me dar atribuição. Eu criei isto, dá-me crédito pelo trabalho que fiz.” As escolhas bases são:

  • pode ser usado para fins comerciais ou não?
  • podem ser feitos trabalhos derivados, versões e adaptações ou não?
  • tem a obra de ser partilhada de igual forma, de modo a que se alguém usar a obra terá de a partilhar com a mesma ?

Não há requisitos: não tens de fazer nada com a tua obra a não ser aquilo que quiseres fazer com ela. O de autor é teu, o que foi feito pela foi dar-te o de exercer o teu de autor em mais formas, e de formas mais simples. A ideia é potenciar esses impulsos criativos que as tecnologia solta, e tirar a do meio do caminho.

O trabalho da Creative Commens é criar a infra-estrutura para este novo tipo de cultura, uma nova forma de cultura folk. Alguém de Deli, alguém de Nova Iorque, alguém de Singapura poderá sentir-se confortável em usar uma fotografia que foi criada e ofereida por alguém dos Estados Unidos, ou na China, ou em qualquer país onde a se tenha extendido, com a sua identidade preservada, o que significa que as pessoas podem realmente criar novos tipos de coisas, juntar-se e construir coisas: colagens que as pessoas podem fazer com as fotografias que outros tiraram, usar ferramentas como o CCMixter para fazer juntos… No fundo, trata-se de criatividade e ligação. Acesso e controlo.

As são usadas tanto por amadores, que simplesmente por paixão fazem o que fazem e querem partilhar para que outros possam usar as suas obras, como por organizações comerciais. No final, as criarão um espaço para o sucesso de muitos actores da economia de lucro.

é uma ponte para o futuro: tem-se de deixar de pensar em conteúdo e passar a pensar nas comunidades. Comunidades que são criadas em torno do produto, e a que as permitem potenciam estas comunidades a formarem-se. Uma comuna física é como um parque onde todos podem entrar em igualdade. Uma comuna com trabalhos intelectuais é na realidade muito mais livre. Vai realmente ser o pilar para a comunicação entre as pessoas, convívio entre culturas, espaço para mais conversação, mais de expressão… E é esse o tipo de espaço que a está a tentar criar.


Podem também ouvir este texto em formato audio [ACTUALIZADO: Agora nos formatos WAV, FLAC, Ogg e ]. Tanto este texto como o audio estão licenciados com a CC BY-NC-SA.

Créditos:

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Oct 11 2008

Superstruct

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Hoje falo no Programas Livres de algo muito diferente do habitual. Falo de um jogo, um jogo do futuro. É um jogo do futuro em muitos aspectos: não só é , decorrendo num plausível ano 2019 e centrando-se num cenário no ano 2050, como é um “jogo do futuro” porque apresenta uma nova abordagem naquilo a que estamos habituados nos jogos de computador.

Superstruct” é o nome do jogo. O modo de é extremamente simples, aberto (enquadrando-se no espírito do que se fala pelo PL) e comunitário: depois de se registarem através da , serão convidados a retratarem-se num plausível futuro. Quem são vocês no ano 2019? O que fazem? O que comem? Como vivem? Com quem vivem? O que vêm à vossa volta? Conta sobre a tua família, os teus amigos, aqueles que trabalham contigo, a tua escola, a tua cidade… em 2019. Tudo isto - o jogo - passa-se em blogs, wikis, redes sociais e, em última análise, onde quiserem, como quiserem. O jogo é vosso, mas o objectivo definido é comum: salvar o planeta Terra e a Humanidade, e, enquanto planeiam como, sobreviver.

O jogo, com a curta duração de seis semanas, começou no passado dia 9 de Outubro. A história, plausível, tem um objectivo: usar o jogo como um think tank, recorrer ao crowdsourcing para soluções para um futuro melhor.

Como que tirado de um livro de Ficção Científica: No ano de 2019 o “Global Extiction Awareness System”, um sistema online que recolhe e analiza Petabytes de informação, fez uma simulação global. Historicamente, aqueles que profetizaram o fim da civilização Humana estavam errados, uma e outra vez, graças às capacidades de adaptação e transformação do ser Humano. No entanto, e desta vez, o GEAS - o sistema que até 2019 nunca se enganou - prevê a da Humanidade no próximo quarto de século. A sua predição difere das típicas profecias em três pontos:

  • O GEAS não correlaciona a da Humanidade a um único factor, mas sim à combinação de diversos factores, a que chama “super ameaças”.
  • A previsão do GEAS baseia-se numa simulação no sistema WorldRun, uma melhoria do sistema que previu com sucesso a inesperada dos esquilos vermelhos em 2015. O ano estimado para a Humanidade foi 2042.
  • O GEAS não acredita nem defende que este futuro é inevitável. Se a Humanidade agir, rápida, inteligente e eficazmente, esta ameaça pode ser adiada e até mesmo evitada. Caso isso aconteça, acredita-se a possibilidade de obter como resultado uma Humanidade mais forte do que a que temos em 2019.

Um dia depois do lançamento do jogo, uma comunidade de mais de 1800 jogadores já tinha criado mais de 170 superestruturas (projectos com o objetivo de eliminar cada uma das super ameaças), e moldado as previsões de para o ano 2060. Não sei se isso significa que o jogo está a ser considerado um sucesso ou não, mas parece-me que, para mais de um milhar de pessoas, a ideia é interessante e cativante: trabalhar em comunidade, com o objectivo comum de melhorar a humanidade, e fazê-lo como passatempo, algo agradável, e não como um fardo. O jogo foi criado e é mantido pelo “The Institude for the Future”, uma fundação sem fins lucrativos, que concerteza usará os resultados deste jogo para e defender um mundo melhor.

O é um exemplo que deve ser analizado após o término desta experiência, mas não tenho dúvidas do seu sucesso. É bom ver que há cada vez mais pessoas a olhar para o modelo aberto de coordenação para tentar fazer o que seria impossível de outra forma. É o modelo que já vimos no software livre, aqui mais uma vez aplicado num contexto diferente. Porque faz sentido. Porque é óbvio que tinha de ser assim.

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Sep 27 2008

Termos de Serviço

Published by Marcos Marado under Direitos Digitais

Já falei sobre Termos de Serviço aqui no “Programas Livres”: sobre o facto de raramente as pessoas os lerem, e o porquê disso ser um erro. Hoje volto ao tema, mas sobre outro prisma.

O software não precisa de . Sempre que os tem, eles apenas podem restringir aquilo que os utilizadores podem fazer com ele. É tão simples quanto isto. O software é protegido por , ou, em , pelos de Autor. Para definir os termos desses mesmos , o autor pode, caso queira explicitar algo que a dos de Autor não o faça, fazê-lo através da de utilização desse mesmo software. É isso que acontece com os programas livres: estes são licenciados com uma “ livre” — tipicamente uma das presentes nesta lista — que definem, além de quem é o titular da autoria do dito programa, quais são as suas condições de utilização, modificação, distribuição e o que mais ao autor lhe aprouver.

Ainda assim, há quem queira subverter a natureza das , fazendo com que, para além delas, os seus utilizadores tenham ainda de aceitar um conjunto de termos ou um de forma a poder usar os ditos programas.

Casos recentes disso são o Google Chrome e o Mozilla Firefox.

O caso do foi muito badalado, não por ter , mas sim pelo que diziam esses termos. A reacção foi tão forte que o Google sentiu-se forçado a mudá-los, como podemos ver no anúncio da mudança:

[...]diversos utilizadores atentos e bloggers exprimiram preocupações quanto à Secção 11 dos do que tenta dar-nos sobre qualquer conteúdo gerado pelo utilizador e “submetido, publicado ou mostrado em ou através” do browser.

[...]Pedimos desculpa por nos ter escapado isto, mas já está corrigido, e vocês podem ler os termos do serviço actualizados do .

Infelizmente, este anúncio não vem sem uma “mentira oculta”:

Esta secção foi incluída porque, segundo a de , o Google precisa daquilo que é chamada uma “” para mostrar ou transmitir conteúdo.

Ora, um browser - ou outro qualquer software - precisa de uma , não só para “mostrar ou transmitir conteúdo”, mas para tudo o resto. A questão é que o já tem uma : a BSD license. Se querem um exemplo de um browser que tem apenas uma e não força os seus utilizadores a terem de assinar , vejam por exemplo o IceCat.

Mas também o Mozilla tem uma , e desde o 3.0.2 que a exibe para aceitação da primeira vez que um utilizador corre o browser. Bem, tem não, teve. Depois de muito criticada, a e o estiveram mesmo numa prova de fogo quando a comunidade Ubuntu decidiu que ela era um problema que tinha de ser solucionado. E isso movimentou tanta poeira que a CEO da Mozilla falou sobre o assunto, prometeu remover a EULA e finalmente fê-lo.

E assim temos as provas de que não só o software não precisa de EULAs ou , mas também de que quando a comunidade se junta e faz pressão sobre algo que está mal, as coisas podem funcionar. Pena é que a comunidade não tenha batido o pé com o tal como fez com o … Será porque ainda não há para GNU/Linux? Será a comunidade GNU/Linux mais alerta a este tipo de situações?

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Jul 05 2008

Restrições Digitais de Direitos (DRM)

Published by Marcos Marado under Direitos Digitais

Já se falou do termo diversas vezes aqui pelo Programas Livres. Mas o que é isso?


Quando compra um carro, ele é seu. Pode fazer o que quiser com ele: conduzi-lo, abri-lo, desmontá-lo… O que quiser, logo que não cometa com ele nenhuma ilegalidade. Quando compra um copo, ele é seu: pode usá-lo quantas vezes quiser, dá-lo, parti-lo, usá-lo para beber ou para fazer dele uma escultura. O que quiser - é seu. Mas… o que acontece quando compra, por exemplo, um CD?

Felizmente a sigla já não é totalmente desconhecida do consumidor, mas, ainda assim, ele tipicamente não sabe a que se refere. é uma sigla, significando formalmente, , mas, mais apropriadamente, Digital Restrictions Management, ou, em Português Gestão Digital de . Termos como protecção contra cópia normalmente referem-se a estas tecnologias. O é uma espécie de “método anti-roubo” como aqueles que existem em algumas lojas, em que um alarme dispara se saires da loja com algo sem pagar. Mas será apenas isso?

Como o seu nome indica, a gestão de digitais aplica-se somente aos meios digitais. O conteúdo digital tem ganho popularidade sobre o conteúdo analógico por dois motivos: o primeiro deve-se ao facto das vantagens técnicas associadas com a sua produção, reprodução e manipulação e o segundo porque, na maioria das vezes, a qualidade é superior em relação ao analógico. Desde o nascimento dos computadores pessoais, os arquivos de conteúdo digital tornaram-se um meio fácil de fazer cópias de modo ilimitado sem aparecer qualquer perda na qualidade das cópias subsequentes. Muito conteúdo analógico perde qualidade com cada geração copiada e frequentemente durante o seu uso normal. A popularidade da e das ferramentas para partilhar arquivos simplificou a distribuição de conteúdo digital.

A disponibilidade de múltiplas cópias perfeitas de material sujeito a de autor foi entendida pela indústria como um golpe ao seu modelo de negócio, em especial dentro da indústria fonográfica, cinematográfica e dos jogos electrónicos. Aqueles que publicam material digital têm modelos de negócio que recaem na habilidade de obter lucro por cada cópia feita do trabalho digital, e algumas vezes por cada execução daquele material. O foi criado e planeado por essas empresas e indivíduos, ainda oferecendo o conteúdo digital, mas com medidas para permitir o controle da duplicação e disseminação do seu conteúdo.

O não protege Autores nem Consumidores - apenas a Indústria.

Mas qual é o problema com o ?

As grandes corporações descrevem as tecnologias como tecnologias de “Gestão de ”, mas, na realidade, estas tecnologias fazem gestão de .

Pegando na analogia anterior, a dos alarmes nas portas das lojas, e como ainda é possível “roubar” músicas e filmes depois de os ter comprado, os alarmes terão de ser colocados na porta de entrada da sua casa. E na sua porta das traseiras. E na porta da garagem. E na do arrumo. E em cada uma das passagens de ar para ventilação. Pode parecer caro instalar todos estes alarmes, mas não se preocupe: é a sua casa e portanto não serão as lojas a pagar por esses alarmes, é você que os vai instalar em sua casa. Vem com o privilégio de ouvir a ou ver o filme que comprou. Ter de dizer “sim, vou instalar estes alarmes”.

Mas estas tecnologias não fazem apenas soar um alarme quando você tenta roubar algo. Elas tipicamente:

  • detectam quem acede a cada obra, quando e sob quais condições, e reportam essa informação ao provedor da obra
  • autorizam ou negam da maneira irrefutável o acesso a obra, de com as condições que podem ser alteradas unilateralmente pelo provedor da obra
  • quando autorizam o acesso, fazem-no sob condições restritivas que são fixadas unilateralmente pelo provedor da obra, independentemente dos que a fornece ao autor ou ao público

As tecnologias podem controlar os consumidores restringindo-lhes o acesso a filmes, , literatura e software, ou, mais precisamente, todo e qualquer formato de dados digital.

Numa loja, se for apanhado a roubar você pode ser enviado à prisão. No caso do , apenas lhe confiscam aquilo que, segundo os alarmes, tentou roubar. Eles não ouvem a sua explicação, não lhe deixam falar com a gerência da loja. Confiscam o que roubou e deixam-no prosseguir o seu caminho. O problema aqui é que você não sabe o que faz os alarmes disparar. E não pode reclamar se achar que o alarme não devia ter disparado. Não pode dizer “não quero alarmes em minha casa” - a não ser que queira abdicar, sem receber o dinheiro de volta, de aquilo que comprou.

Mas lembre-se: você tem uma escolha. Não comprar produtos com .

Mas… Se o é assim tão mau, porque existe?

O é mau para ambas as pontas da cadeia de valor: o produtor e o consumidor. No entanto o intermediário tem muito a ganhar com isto. Peguemos no exemplo da : A indústria discográfica quer controlar a distribuição da sua . Eles querem chegar ao maior número possível de pessoas, mas querem receber dinheiro de cada uma delas. Como isso implica saber como é que usa a que comprou, eles decidiram que era interessante se pudessem cobrar por cada tipo de uso que dá à sua : se a quiser ouvir no computador compra de uma forma, se quiser ouvir no seu carro terá de a comprar de outra forma, se ainda a quiser ter no seu leitor de , terá de adquiri-la outra vez. Com a queda das vendas de , cobrar mais àqueles que pagam por ela ainda se lhes afigurou mais atractivo. Mas a já não era sua? Não podia fazer com ela o que quisesse? Na realidade não: se compra um CD mas não o consegue copiar, se compra uma em formato digital mas não a consegue tocar no seu leitor demp3, então ela não é verdadeiramente sua: quando a comprou, foi-lhe forçado, com ela, um conjunto de .

Uma posição comum sobre este tema é “pois, isso realmente não é bom, mas a mim não me afecta, por isso não quero saber”. Mas isso pode sair-lhe gorado: um bom exemplo é o recente caso da Microsoft.

Em 2004 a Microsoft criou uma loja online chamada “ Music”, cuja era vendida com um sistema de chamado PlaysForSure. Em 2006 a Microsoft fechou a loja, e abriu uma outra, chamada Zune Marketplace, com outro sistema de . Aqueles que compraram músicas na primeira loja, têm agora de requisitar para ouvir a que já compraram: têm a cinco , que terão de ser inseridas em cinco instalações do Microsoft Windows. Recentemente a Microsoft anunciou que, a partir de 1 de Setembro, as músicas por eles compradas só tocariam nas instalações de Microsoft Windows onde estão as . Se tivessem de reinstalar o sistema operativo, ou actualizar a sua versão (do Windows XP para o Windows Vista, por exemplo), perderiam a , deixando de poder ouvir a que já compraram. Ah, e se tentassem, mesmo que não conseguissem, “enganar os alarmes”… estariam a cometer uma ilegalidade. Depois de todas as reacções a este anúncio, invariavelmente negativas, a Microsoft voltou atrás: uma boa mostra de como a comunidade online consegue defender-se e pressionar corporações como esta. Mas as notícias não são muito animadoras: eles prometem adiar este prazo de 1 de Setembro para algures em 2011, onde irão decidir de que forma agir. Adiam assim o problema, na esperança que o assunto caia no esquecimento. Mas, para quem comprou lá, não está à espera que ela “dure mais três anos”: devia ter o a poder tê-la, para sempre.

E agora? Volta a comprar produtos com ?

Para saber mais sobre este assunto, incluindo como ajudar a combater estes sistemas, dirija-se ao site do DRM-PT.

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Feb 08 2007

Ipod+Itunes+DRM

Published by Luís Bastos under notícias livres

Hoje vi esta imagem que alerta para as que existem nos dados digitais e que nos impedem de manipular os dados de um cd de musica ou de um que compramos na . Estas são feitas através dos (Gestão de Digitais). Lembrei-me de um artigo que li no sítio do bloco de esquerda (nada tenho a ver com este partido) e que explica bem o que é um e como é injusto.

Artigo

antidrm-small Ipod+Itunes+DRM

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