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Nov 22 2008

Mobilizem-se para bloquear a “resposta gradual” do Sarkozy no Conselho Europeu!

Published by Marcos Marado under Direitos Digitais

Há algumas semanas atrás, a Francesa instalando uma “” contra os utilizadores da foi aceite pelo Senado Francês. Nessa , uma autoridade administrativa manda, sem julgamento qualquer, cortar o acesso à (sem possibilidade de subscrição a um novoserviço de acesso) a alegados partilhadores de ficheiros. Nicolas Sarkozy mostrou uma forte determinação em impor este esquema em toda a , usando a presidência Francesa da . No entanto, a emenda 138 à de regulação de telecoms Europeia (”Pacote Telecom#), decidiu com 88% dos votos cortar as asas a esse projecto. Isso é a razão pela qual provevelmente o está agora prestes a remover esta emenda numa decisão que irá ocorrer a 27 de Novembro. O Programas Livres convida todos os cidadãos Europeus a escrever para os seus representantes no Conselho e pedir-lhes para manter a emenda 138 no “Pacote”. A sua remoção iria significar uma enorme falha na Europeia, para o interesse único dos lóbis da indístria de entretenimento.

O sonho de Sarkozy impedido pela emenda 138

Assim que se tornou Presidente Francês, Nicolas Sarkozy mostrou uma obsessão: lutar contra a de ficheiros na cortando a ligação à de todos os alegados incumpridores, logo que tivessem sido avisados duas vezes - a “” também referida como “três vezes e estás fora”. Este projecto encontrou considerável oposição.

Assim que o rascunho da apareceu em França, várias emendas foram introduzidas de forma encoberta do “Pacote Telecoms”. Graças à mobilização dos cidadãos Europeus, provisões ameaçando a “Neutralidade na ”, enfraquecendo a protecção de pessoais e a , ou erguendo as fundações para uma aproximação “três vezes”, foram destacadas, confirmadas por uma forte anãlise do Supervisor da Protecção de Dados Europeu (EDPS).

As ameaças continuam presentes no texto votado pelo Europeu na sua primeira leitura (Universal services, Artigo 33 (2a) e Artigo 20 (2), e directiva Framework artigo 8(4g) e Anexo 1, ponto 19 da directiva de Autorização). No entanto, estas ameaças foram evitadas por importantes salvaguardas para o utilizador, notavelmente a Emenda 138 da directiva Framework, suportada por uma grande maioria vinda dos diversos Partidos − 88% dos Membros do Parlamento Europeu (MEPs).

“Para serem efectivas, as medidas acusatórias e punitivas da “” deveriam sobrepor-se à autoridade judicial. Isso é claramente demonstrado pela Francesa, establecendo uma nova autoridade administrativa, punindo utilizadores da com raro espaço para qualquer recurso num tribunal, logo que o danotenha sido feito com o corte do seu acesso à . O objecto de uma emenda 138 é apenas uma lembrança do a julgamento.”

, explica Jeremie Zimmermann, co-fundador da Quadratura da Net.

Uma tentativa de evitar a Europeia

A meados de Outubro, N.Sarkozy escreveu ao Presidente da Comissão Euripeia, José Manuel Barroso, pedindo-lhe para remover a emenda 138 do texto que tem agora de ser acordado pelo . Barroso rejeitou o pedido. O próximo passo para o procedimentode co-decisão da UE será a primeira leitura pelo Conselho, onde ministros dos 27 Estados-Membro terão de ser convencidos pelo Presidente Francês, a 27 de Novembro.

Caso a emenda 138 seja removida do Pacote Telecoms pelo Conselho, isso iria mostrar a toda a que a estrutura tecnocrática pode ser usada pelo ramo executivo para ultrapassar a expressão democrática do . Tal aceitação da vontade de Nicolas Sarkozy, para servir o interesse de alguns lóbis das indústrias de entretenimento, seria um exemplo muito triste da derrota da Europeia.

A dos cidadãos Europeus a Sarkozy através do Conselho

O Programas Livres apela a todos os cidadãos Europeus a contactar os seus ministros e parlamentos nacionais para informá-los e para exigir deles uma posição transparente sobre os princípios fundamentais democráticos relembrados pela emenda 138.

Apesar de Bruxelas aparentar estar determinada a manter a emenda, Sarkozy está a fazer de tudo para convencer os Ministros Europeus a removerem essa emenda.

Como conclui Zimmermann,

No decorrer do ‘Pacote Telecoms’, os cidadãos Europeus atingiram já alguns resultados tremendos: expôr este projecto-, alertando os MEP para que eles possam entender o que estava em jogo, apontar para as ameaças escondidas e para o que poderiam ser salvaguardas, etc. Pessoas de muitos países Europeus já se juntaram a este esforço. Mostraram a face da actual Europeia. E fazem-no apesar das manobras daqueles que são incontáveis ao nível Europeu: e lóbis da indústria de entretenimento. Agora, os Europeus terão de se fazer ouvir mais alto!”


Junta-te à campanha!

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Nov 08 2008

Creative Commons - Uma Cultura de Partilha

Published by Marcos Marado under Direitos Digitais

A está a fazer a sua para doações para 2008, e para celebrar a foi feito um pequeno filme chamado “A Shared Culture”. Sendo também ele licenciado em , tomei a de fazer uma tradução livre do filme, e com ele fazer este texto.

O que significa ser humano se não tivermos uma cultura de ? E o que significa uma cultura de se não a pudermos partilhar? Foi apenas nos últimos 100 ou 150 anos que começámos a restringir fortemente a forma como a cultura é usada. Hoje, a formou uma infrastrutura onde qualquer pessoa pode participar sem pedir permissão. Temos todas estas novas tecnologias que permitem às pessoas expressarem-se, ter controlo sobre os seus próprios impulsos criativos, mas a está a meter-se no caminho. A está desenhada para salvar o mundo da frustrada.

Há aqueles que realmente querem partilhar as suas obras, que as colocam na porque as querem partilhar em determinados termos. Por isso criou-se uma forma mais simples dos criadores dizerem ao mundo “aqui está a que eu quero que a minha obra criativa tenha, aqui estão as coisas que vocês podem fazer com ela”. Posso reproduzi-la? Posso copiá-la? Posso colocá-la no meu livro? Posso usar essa fotografia? Posso fazer uma nova versão dela?

A dá ferramentas aos criadores para tomarem uma escolha quanto aos de autor. As podem cobrir tudo aquilo que é coberto pelo de autor. Todas as dizem “tens de me dar atribuição. Eu criei isto, dá-me crédito pelo trabalho que fiz.” As escolhas bases são:

  • pode ser usado para fins comerciais ou não?
  • podem ser feitos trabalhos derivados, versões e adaptações ou não?
  • tem a obra de ser partilhada de igual forma, de modo a que se alguém usar a obra terá de a partilhar com a mesma ?

Não há requisitos: não tens de fazer nada com a tua obra a não ser aquilo que quiseres fazer com ela. O de autor é teu, o que foi feito pela foi dar-te o de exercer o teu de autor em mais formas, e de formas mais simples. A ideia é potenciar esses impulsos criativos que as tecnologia solta, e tirar a do meio do caminho.

O trabalho da Creative Commens é criar a infra-estrutura para este novo tipo de cultura, uma nova forma de cultura folk. Alguém de Deli, alguém de Nova Iorque, alguém de Singapura poderá sentir-se confortável em usar uma fotografia que foi criada e ofereida por alguém dos Estados Unidos, ou na China, ou em qualquer país onde a se tenha extendido, com a sua identidade preservada, o que significa que as pessoas podem realmente criar novos tipos de coisas, juntar-se e construir coisas: colagens que as pessoas podem fazer com as fotografias que outros tiraram, usar ferramentas como o CCMixter para fazer juntos… No fundo, trata-se de criatividade e ligação. Acesso e controlo.

As são usadas tanto por amadores, que simplesmente por paixão fazem o que fazem e querem partilhar para que outros possam usar as suas obras, como por organizações comerciais. No final, as criarão um espaço para o sucesso de muitos actores da economia de lucro.

é uma ponte para o futuro: tem-se de deixar de pensar em conteúdo e passar a pensar nas comunidades. Comunidades que são criadas em torno do produto, e a que as permitem potenciam estas comunidades a formarem-se. Uma comuna física é como um parque onde todos podem entrar em igualdade. Uma comuna com trabalhos intelectuais é na realidade muito mais livre. Vai realmente ser o pilar para a comunicação entre as pessoas, convívio entre culturas, espaço para mais conversação, mais de expressão… E é esse o tipo de espaço que a está a tentar criar.


Podem também ouvir este texto em formato audio [ACTUALIZADO: Agora nos formatos WAV, FLAC, Ogg e MP3]. Tanto este texto como o audio estão licenciados com a CC BY-NC-SA.

Créditos:

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Oct 25 2008

Privacidade? Não no Reino Unido

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Começo por vos relembrar do artigo que escrevi à dois meses, intitulado “Vigia”. Nele, falei-vos de uma Directiva Europeia (2006/24/CE), que, recorrendo ao argumento do “combate ao terrorismo”, foi aprovada em 2006, e transposta em Julho para . Essa directiva força a que todos aqueles que providenciem “serviços de comunicação” em os adaptam de forma a que um conjunto enorme de - relativos a quem usou o serviço, quando, e para comunicar com quem - passem a ser registados e guardados durante o prazo de um ano.

Essa directiva comunitária já foi transposta para outros países, sendo mais recente o caso do . A “Communications Data Bill”, cujo objectivo seria a “prevenção e detecção de crimes e protecção da segurança nacional”, é definida como a forma de encontrar “o balanço adequado entre a e a protecção pública”. Parece-me, pessoalmente, que o balanço adequado seria “tentar proteger o público sem nunca violar a ”. Mas aquele , ao contrário de mim, acha que não. Descansa-me saber que não estou só: já Benjamin Franklin dizia que “Aqueles que abrem mão da essencial por um pouco de segurança temporária não merecem nem nem segurança”. Mas se formos a ler as várias reacções à notícia, não estamos, eu e Franklin, sós: a reacção geral é que esta medida Orwelliana é destrutiva para o país. Mas quem tem poder para parar os interesses que estão por detrás destas decisões?

Nada fria esta temática, foi logo acalentada por outra decisão - adivinhem lá - no . Segundo alguém, que - assumo - deve ter feito um estudo de mercado, “os telefones pay-as-you-go (comprados na totalidade, em vez de subsidiados por uma operadora), são populares entre criminais e terroristas, porque o anonimato conseguido com estes dispositivos escudam as suas actividades dos olhos das autoridades.” A validade deste estudo em lado algum referido, mas citado, nunca é posto em causa, e eu também não o ponho. O que questiono, tal como no ponto anterior, é como é que usamos o dado anterior - certamente bem medido através de um inquérito a criminais e terroristas à solta - quando sabemos que existem também milhares de cidadãos cumpridores da que optam por esses por qualquer outra razão (sim, a venda não é exclusiva a terroristas, 72% dos utilizadores da rede Vodafone no usam-nos) e que querem manter as suas comunicações privadas. Isto porque, devido ao exposto anteriormente, nada mais natural que definir um conjunto de medidas que tornem obrigatória a identificação (via cartão de identificação ou passaporte) do comprador de um telemóvel no acto de compra. Mais uma vez, a medida foi mal recebida, pelo que Jacqui Smith decidiu apanhar com os tomates todos agora, e implementar esta nova base de no próximo ano, quando já ninguém se lembrar do assunto.

Se pensam que isto não vos interessa muito, pensem outra vez. O facto disto estar a acontecer no não é sinónimo de “não está a acontecer em ”, mas sim de “vai acontecer em ”. Como sempre, este tipo de medidas serão passadas a propostas comunitárias, daí a directivas comunitárias, e daí, quase que obrigatoriamente, em leis para cada um dos países Europeus. Não nos espantemos pois que hajam anti-Barrosistas na Europa. Mas a UE muda de mãos dentro de um ano… Iremos nós deixar com que tudo fique na mesma?

Outra visão do que se tem passado no quanto à pode ser lida no Ars Technica.

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Oct 11 2008

Superstruct

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Hoje falo no Programas Livres de algo muito diferente do habitual. Falo de um jogo, um jogo do futuro. É um jogo do futuro em muitos aspectos: não só é , decorrendo num plausível ano 2019 e centrando-se num cenário no ano 2050, como é um “jogo do futuro” porque apresenta uma nova abordagem naquilo a que estamos habituados nos de computador.

Superstruct” é o nome do jogo. O modo de é extremamente simples, aberto (enquadrando-se no espírito do que se fala pelo PL) e comunitário: depois de se registarem através da , serão convidados a retratarem-se num plausível futuro. Quem são vocês no ano 2019? O que fazem? O que comem? Como vivem? Com quem vivem? O que vêm à vossa volta? Conta sobre a tua família, os teus amigos, aqueles que trabalham contigo, a tua escola, a tua cidade… em 2019. Tudo isto - o jogo - passa-se em blogs, wikis, redes sociais e, em última análise, onde quiserem, como quiserem. O jogo é vosso, mas o objectivo definido é comum: salvar o planeta Terra e a Humanidade, e, enquanto planeiam como, sobreviver.

O jogo, com a curta duração de seis semanas, começou no passado dia 9 de Outubro. A história, plausível, tem um objectivo: usar o jogo como um think tank, recorrer ao crowdsourcing para soluções para um futuro melhor.

Como que tirado de um livro de Ficção Científica: No ano de 2019 o “Global Extiction Awareness System”, um sistema online que recolhe e analiza Petabytes de informação, fez uma simulação global. Historicamente, aqueles que profetizaram o fim da civilização Humana estavam errados, uma e outra vez, graças às capacidades de adaptação e transformação do ser Humano. No entanto, e desta vez, o GEAS - o sistema que até 2019 nunca se enganou - prevê a da Humanidade no próximo quarto de século. A sua predição difere das típicas profecias em três pontos:

  • O GEAS não correlaciona a da Humanidade a um único factor, mas sim à combinação de diversos factores, a que chama “super ameaças”.
  • A previsão do GEAS baseia-se numa simulação no sistema WorldRun, uma melhoria do sistema que previu com sucesso a inesperada dos esquilos vermelhos em 2015. O ano estimado para a Humanidade foi 2042.
  • O GEAS não acredita nem defende que este futuro é inevitável. Se a Humanidade agir, rápida, inteligente e eficazmente, esta ameaça pode ser adiada e até mesmo evitada. Caso isso aconteça, acredita-se a possibilidade de obter como resultado uma Humanidade mais forte do que a que temos em 2019.

Um dia depois do lançamento do jogo, uma comunidade de mais de 1800 jogadores já tinha criado mais de 170 superestruturas (projectos com o objetivo de eliminar cada uma das super ameaças), e moldado as previsões de para o ano 2060. Não sei se isso significa que o jogo está a ser considerado um sucesso ou não, mas parece-me que, para mais de um milhar de pessoas, a ideia é interessante e cativante: trabalhar em comunidade, com o objectivo comum de melhorar a humanidade, e fazê-lo como passatempo, algo agradável, e não como um fardo. O jogo foi criado e é mantido pelo “The Institude for the Future”, uma fundação sem fins lucrativos, que concerteza usará os resultados deste jogo para e defender um mundo melhor.

O é um exemplo que deve ser analizado após o término desta experiência, mas não tenho dúvidas do seu sucesso. É bom ver que há cada vez mais pessoas a olhar para o modelo aberto de coordenação para tentar fazer o que seria impossível de outra forma. É o modelo que já vimos no software livre, aqui mais uma vez aplicado num contexto diferente. Porque faz sentido. Porque é óbvio que tinha de ser assim.

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Sep 27 2008

Termos de Serviço

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Já falei sobre Termos de Serviço aqui no “Programas Livres”: sobre o facto de raramente as pessoas os lerem, e o porquê disso ser um erro. Hoje volto ao tema, mas sobre outro prisma.

O software não precisa de . Sempre que os tem, eles apenas podem restringir aquilo que os utilizadores podem fazer com ele. É tão simples quanto isto. O software é protegido por , ou, em , pelos de Autor. Para definir os termos desses mesmos , o autor pode, caso queira explicitar algo que a dos de Autor não o faça, fazê-lo através da de utilização desse mesmo software. É isso que acontece com os programas livres: estes são licenciados com uma “ livre” — tipicamente uma das presentes nesta lista — que definem, além de quem é o titular da autoria do dito programa, quais são as suas condições de utilização, modificação, distribuição e o que mais ao autor lhe aprouver.

Ainda assim, há quem queira subverter a natureza das , fazendo com que, para além delas, os seus utilizadores tenham ainda de aceitar um conjunto de termos ou um de forma a poder usar os ditos programas.

Casos recentes disso são o Google Chrome e o Mozilla Firefox.

O caso do foi muito badalado, não por ter , mas sim pelo que diziam esses termos. A reacção foi tão forte que o Google sentiu-se forçado a mudá-los, como podemos ver no anúncio da mudança:

[...]diversos utilizadores atentos e bloggers exprimiram preocupações quanto à Secção 11 dos do que tenta dar-nos sobre qualquer conteúdo gerado pelo utilizador e “submetido, publicado ou mostrado em ou através” do browser.

[...]Pedimos desculpa por nos ter escapado isto, mas já está corrigido, e vocês podem ler os termos do serviço actualizados do .

Infelizmente, este anúncio não vem sem uma “mentira oculta”:

Esta secção foi incluída porque, segundo a de , o Google precisa daquilo que é chamada uma “” para mostrar ou transmitir conteúdo.

Ora, um browser - ou outro qualquer software - precisa de uma , não só para “mostrar ou transmitir conteúdo”, mas para tudo o resto. A questão é que o já tem uma : a BSD license. Se querem um exemplo de um browser que tem apenas uma e não força os seus utilizadores a terem de assinar , vejam por exemplo o IceCat.

Mas também o Mozilla tem uma , e desde o 3.0.2 que a exibe para aceitação da primeira vez que um utilizador corre o browser. Bem, tem não, teve. Depois de muito criticada, a e o estiveram mesmo numa prova de fogo quando a comunidade Ubuntu decidiu que ela era um problema que tinha de ser solucionado. E isso movimentou tanta poeira que a CEO da Mozilla falou sobre o assunto, prometeu remover a EULA e finalmente fê-lo.

E assim temos as provas de que não só o software não precisa de EULAs ou , mas também de que quando a comunidade se junta e faz pressão sobre algo que está mal, as coisas podem funcionar. Pena é que a comunidade não tenha batido o pé com o tal como fez com o … Será porque ainda não há para GNU/Linux? Será a comunidade GNU/Linux mais alerta a este tipo de situações?

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Sep 15 2008

DRM do futuro poderá ser baseado em domínio

De forma a evitar a , muitas companhias insistem em colocar este tipo de tecnologia nos seus produtos, sejam eles musicas, vídeos ou . Apesar de ser uma forma pouco eficaz de combater a e que chega mesmo a reduzir as vendas, este tipo de tecnologia só traz problemas a quem adquire o conteúdo legalmente, já que o conteúdo só é reproduzido em equipamentos autorizados. Além disso, quem paga pelo conteúdo é tratado da mesma forma caso o tivesse adquirido de forma ilegal, o que leva a que muitos consumidores evitem a compra de produtos com este tipo de tecnologia, tal como esta a acontecer com o .

De modo a evitar os problemas actuais do está a ser criado um consorcio, o – Digital Entertainment Content Ecosystem, que conta com uma número significativo de empresas desde fabricantes de hardware, estúdios de cinema e produtoras discográficas que pretende criar a nova geração de , o baseado em domínio. Segundo os representantes do consórcio, este tipo de tecnologia permitirá a interoperabilidade entre dispositivos e websites e as regras de uso que permitem ao utilizador copiar o conteúdo para dispositivos localizados em casa e mesmo gravá-los para suportes físicos. O plano é atribuir ao consumidor uma livraria virtual, onde se encontra todo o conteúdo digital, que pode ser acedida por este de um modo semelhante ao e-mail.

Claro que este não seria o caminho ideal a seguir mas já é uma melhoria significativa ao modelo actual, o ideal seria mesmo por de lado este tipo de tecnologia e passar a utilizar formatos abertos e sem qualquer tipo de restrição para os utilizadores.

{via Reuters}

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Sep 13 2008

DRM: TMN e Electronic Arts

Published by Marcos Marado under Direitos Digitais

O tema já aqui foi debatido diversas vezes. Um resumo: chama-se a um conjunto de tecnologias, entre as quais as tecnologias contra a cópia, que, quando aplicadas a um produto, restringem o comprador desse mesmo produto da sua em fazer o que quiser com o mesmo, e dos que tem sobre ele. Mas tive de voltar a trazer o tema à baila, graças a dois distintos que ocorreram nos últimos quinze dias.

A decidiu recentemente lançar uma campanha publicitária sobre um novo serviço que têm, anunciando-o como um produto, e com alguns erros. Assim, para o bem dos leitores do PL, aqui fica a correcção:

tmn scam
  • O serviço que a está a disponibilizar permite-vos alugar , e enquanto continuarem a pagar o serviço poderão usufruir da , mas assim que deixarem de pagar, a deixa de ser reproduzível. Assim, trata-se de um serviço de aluguer e não de compra.
  • O serviço não permite o aluguer de ficheiros MP3, tal como anunciado: os ficheiros, num outro formato e com outras tecnologias embebidas - incluindo um sistema de - só tocarão em computadores com o sistema operativo Windows, e apenas no leitor de Windows Media Player. Não tocará no vosso leitor de mp3, ou no vosso programa de reprodução de favorito, caso este não seja o Windows Media Player.

Já no mercado internacional, a Electronic Arts lançou o mui falado jogo “”.

Spore

A sátira apresentada nesta tira do Penny Arcade reflecte as preocupações que a comunidade de gamers começou a demonstrar assim que soube que este jogo ia ser lançado com um sistema de , presumidamente para evitar a . Em Maio passado uma representante da Electronic Arts explicou o que é que este sistema de iria ou não fazer, e o que é que os consumidores iriam ou não poder fazer. Alguns dos aspectos são:

  • Não é permitida a cópia privada do DVD em que o jogo é comprado
  • Não é permitido o sem que o DVD esteja inserido
  • O jogo só é instalável três vezes

Agora que o jogo foi lançado, o feedback tem sido extremamente negativo: não só pelo facto do jogo não cumprir com as espectativas criadas, mas principalmente porque o jogo tem DRM. À ZDNET, 95% dos leitores disse que não compraria um jogo com DRM, mas na Amazon o levou o produto a estar classificado com nota mínima.

spore-amazon

Serão os ouvintes Portugueses tão astutos como os jogadores a nível mundial?

spore-amazon-review
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Aug 30 2008

O negro futuro do direito à cópia

Published by Marcos Marado under Direitos Digitais

Quando se fala de de autor em , ou do () nos países onde é esse o instituído, tipicamente atropelam-se aquelas que realmente deveriam ser as partes interessadas: autores, consumidores e a sociedade no geral. Num retrato negro daquele que poderá bem ser o futuro mundial - e em muitos aspectos para lá estamos a caminhar - Gerd Leonhard, um palestrista de renome e defensor da cultura livre - escreveu uma história ficcional, esperemos, sobre aquele que poderá ser o nosso futuro, quanto ao na , e qual o seu impacto em toda a sociedade. Em particular alerto-vos para terem em mente que, em isto sendo aplicado, tudo aquilo que é hoje passível de ser abrangido pelas leis de , como software, livros e imagens, poderá facilmente sofrer da mesma pena.

Assim, e como felizmente ainda existe cultura livre e o artigo foi coberto por uma livre, deixo-vos uma tradução de alguns excertos desse artigo, recomendando a sua leitura no original e na íntegra. Vamos ficar de braços cruzados e esperar que o futuro aconteça?

em 2015 - Totalmente Segura, Realmente (tipo… completamente) Rara e Muito Muito Valiosa (outra vez)

Atenção: isto é ficção. Por agora.

1 de Junho, 2015

Os esforços herculeanos dos mais eminentes legítimos proprietários dos musicais e propriedade intelectual, representados pela RIIAFPIAAMP (a englobadora organização de produtores de conteúdos conduzida pelo ex-presidente dos Estados Unidos George ‘Hard Work’ Bush, de quem os conhecidos gritos de batalha “Temos o de sermos pagos um pouco melhor, carago” e “-de-autor-são-algo-pelo-que-vale-a-pena-morrer” se podem encontrar agora em canecas e muppies à beira da estrada) e os seus numerosos aliadados executores da , as forças militares e os experts anti-terroristas de topo de todo o mundo venceram finalmente. A é agora 100% rara outra vez, e a ameaça dos jovens criminosos e dos auto-proclamados “Nativos Digitais” usufruindo da através da sem restrições foi erradicada.

A Guerra à foi custosa, sem dúvida biliões de Dólares Americados, Euros, Yens e Rupias foram dispendidos e alguns danos colaterais foram também absorvidos, mas finalmente a batalha foi vencida pelos líderes por das corporações industriais globais da - e a é, uma vez mais, totalmente e permanentemente segura e sob o exclusivo e inviolável controlo dos detentores de . O é sagrado outra vez - haleluia.

Nenhum dispositivo pode tocar qualquer a não ser que tenha sido autorizada pela Central Music Device Approval Authority em Londres. Todos os dispositivos de gravação de são proibidos, ponto final, e especiais são necessárias para poder sequer mencionar a sua existência. Equipas robotizadas de controlo de dispositivos patrulham metropolitanos, clubes, bares e escolas por todo o mundo, à procura de pings RFID de qualquer dispositivo que possa ser usado para roubar. A não ser que um dispositivo esteja devidamente autorizado a tocar , um utilizador que tente fazê-lo irá obter uma gravação em loop de uma mensagem a alertá-lo para o facto desse dispositivo ser ilegal e que ele deve terminar as suas actividades imediatamente.

Prevericadores recorrentes que não cumpram os avisos poderão sofrer de fortes queimaduras nos dedos, cortesia do novo hardware e software QueimaEssesLadrões que está agora embebido em todos os dispositivos audio, tornando esses criminosos facilmente identificáveis à MP7 global (Music Protection Prevention Prohibition Purposeful Peer Panic Production) que se instalou depois da aprovação da Criminal Music Consumption Act (CMCA) ter sido aprovada em 2011. Hospitais em todo o mundo estão a colaborar em pleno.

[...]

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Aug 16 2008

DebianDayPT 2008

Published by Marcos Marado under Direitos Digitais

Foi anunciado e não foi esquecido: hoje é dia de Debian: para comemorar os 15 anos de , o pessoal do DebianPT decidiu organizar um evento, que se espera não ser único mas sim regular, em Português e em , sobre .

Assim, a secção de Direitos Digitais quebra a sua programação regular para divulgar este evento (e usufruir dele). Voltamos dentro de 15 dias.

Program @ DebianDayPT 2008

Parabéns !

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Jul 19 2008

Programas Livres e o Governo

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Foi uma quinzena prolífica com assuntos sobre os quais escrever, mas a escolha recaiu para este por ser, talvez, o mais grave de todos os anúncios feitos nos últimos tempos.

Na defesa e segurança informáticas, é costume referir-se que um bom profissional na área tem de ter um pouco de paranóico. É um conceito que não deve ser tomado levianamente: a segurança informática é um trabalho que nunca está feito, e quando não se vêm resultados é quando as coisas estão a correr melhor. O trabalho na segurança informática só é posto em causa quando a dita segurança foi comprometida. Assim, “ser paranóico” significa saber que “tudo o que pode acontecer, vai acontecer”, e o trabalho de defesa informática passa por identificar potenciais vértices de ataque, e proteger-se deles.

Assim, não deixa de ser irónico ler na comunicação social que o Ministério da Defesa fez estabeleceu uma parceria com a Norte-Americana para a criação de um centro de investigação. Dessa notícia, destaco o seguinte:

Esta parceria [...] estabelecerá e desenvolverá uma plataforma de trabalho conjunto para potenciar a economia de software local em torno do mercado da defesa nacional. Neste campo, a quer integrar as componentes desenvolvidas no Language Development Centre de Lisboa, utilizando a língua portuguesa nos respectivos interfaces e disponibilizar conteúdos técnicos necessários ao Centro de Inovação, nomeadamente através da criação de uma biblioteca sobre a plataforma .NET, da organização de workshops e acções de formação com vista à utilização e à divulgação das tecnologias emergentes necessárias às actividades do centro.

Vejamos:

  • O Ministério de Defesa Português estabeleceu uma parceria com uma empresa Norte-Americana para a criação de um centro de investigação
  • o software para a defesa nacional vai integrar componentes desenvolvidas pela dita empresa Norte-Americana
  • os documentos técnicos estarão disponíveis através de uma biblioteca sobre uma plataforma proprietária e fechada, da dita empresa Norte-Americana
  • ao abrigo deste protocolo, a dita empresa irá incentivar a utilização e proceder à divulgação das suas tecnologias

Neste caso, nem vale a pena pegar no ponto em que se vê o Português estar a estabelecer uma parceria com uma empresa condenada pela . Servir-nos-à apenas destacar o facto do Ministério de Defesa Português estar a colocar-se, voluntariamente e de agrado, à mercê de uma empresa estrangeira, cujo background não é de louvar, passando a usar software proprietário e fechado, do qual não poderá validar e apenas confiar na sua segurança, e, como agradecimento, promove a publicitação dos produtos da dita empresa.

Fica-nos ainda um gosto amargo por não saber porque não houve concurso público para a atribuição desta parceria, ou a curiosidade em saber quem é que tomou a decisão de entregar desta forma a Defesa Nacional, quanto temos em Sistemas Operativos abertos como o Alinex ou a Caixa Mágica, quando temos em institutos dedicados à questão da Segurança como o CERT do Instituto Pedro Nunes, quanto temos em variadíssimas empresas que trabalham de uma forma mais aberta e clara, como as várias empresas-membro da ESOP.

Fica-nos um gosto amargo por ver-mos o gastar milhões num que, em vez de melhorar a situação no país, a piora.

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