Nov 08 2008

Creative Commons - Uma Cultura de Partilha

Published by Marcos Marado under Direitos Digitais

A está a fazer a sua campanha para doações para 2008, e para celebrar a campanha foi feito um pequeno filme chamado “A Shared Culture”. Sendo também ele licenciado em , tomei a de fazer uma tradução do filme, e com ele fazer este texto.

O que significa ser se não tivermos uma cultura de ? E o que significa uma cultura de se não a pudermos partilhar? Foi apenas nos últimos 100 ou 150 anos que começámos a restringir fortemente a forma como a cultura é usada. Hoje, a formou uma infrastrutura onde qualquer pessoa pode participar sem pedir permissão. Temos todas estas novas tecnologias que permitem às pessoas expressarem-se, ter controlo sobre os seus próprios impulsos criativos, mas a está a meter-se no caminho. A está desenhada para salvar o da frustrada.

Há aqueles que realmente querem partilhar as suas obras, que as colocam na porque as querem partilhar em determinados termos. Por isso criou-se uma forma mais simples dos criadores dizerem ao “aqui está a que eu quero que a minha obra criativa tenha, aqui estão as coisas que vocês podem fazer com ela”. Posso reproduzi-la? Posso copiá-la? Posso colocá-la no meu livro? Posso usar essa fotografia? Posso fazer uma dela?

A dá ferramentas aos criadores para tomarem uma escolha quanto aos de autor. As podem cobrir tudo aquilo que é coberto pelo de autor. Todas as dizem “tens de me dar atribuição. Eu criei isto, dá-me crédito pelo trabalho que fiz.” As escolhas bases são:

  • pode ser usado para fins comerciais ou não?
  • podem ser feitos trabalhos derivados, versões e adaptações ou não?
  • tem a obra de ser partilhada de igual forma, de modo a que se alguém usar a obra terá de a partilhar com a mesma ?

Não há requisitos: não tens de fazer nada com a tua obra a não ser aquilo que quiseres fazer com ela. O de autor é teu, o que foi feito pela foi dar-te o de exercer o teu de autor em mais formas, e de formas mais simples. A ideia é potenciar esses impulsos criativos que as solta, e tirar a do meio do caminho.

O trabalho da Creative Commens é criar a infra-estrutura para este novo tipo de cultura, uma forma de cultura folk. Alguém de Deli, alguém de Iorque, alguém de Singapura poderá sentir-se confortável em usar uma fotografia que foi criada e ofereida por alguém dos Estados Unidos, ou na , ou em qualquer país onde a se tenha extendido, com a sua identidade preservada, o que significa que as pessoas podem realmente criar novos tipos de coisas, juntar-se e construir coisas: colagens que as pessoas podem fazer com as fotografias que outros tiraram, usar ferramentas como o CCMixter para fazer juntos… No fundo, trata-se de criatividade e ligação. Acesso e controlo.

As são usadas tanto por amadores, que simplesmente por paixão fazem o que fazem e querem partilhar para que outros possam usar as suas obras, como por organizações comerciais. No final, as criarão um para o sucesso de muitos actores da economia de lucro.

é uma ponte para o futuro: tem-se de deixar de pensar em conteúdo e passar a pensar nas comunidades. Comunidades que são criadas em torno do produto, e a que as permitem potenciam estas comunidades a formarem-se. Uma comuna física é como um parque onde todos podem entrar em igualdade. Uma comuna com trabalhos intelectuais é na realidade mais . Vai realmente ser o pilar para a comunicação entre as pessoas, convívio entre culturas, para mais conversação, mais de expressão… E é esse o tipo de que a está a tentar criar.


Podem também ouvir este texto em formato audio [ACTUALIZADO: Agora nos formatos WAV, FLAC, Ogg e MP3]. Tanto este texto como o audio estão licenciados com a CC BY-NC-SA.

Créditos:

mmarado Creative Commons - Uma Cultura de Partilha Marcos Marado escreve no
PL ao Sábado sobre Digitais.
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Nov 08 2008

O limite do Software Livre é a imaginação

Published by Bruno Miguel under opiniões

Quando estamos de mãos e pés atados, não vamos longe, por mais que nos esforcemos; quando estamos , vamos até ao infinito (e mais além). Com , temos e a é o limite. Ainda agora a Red Hat fez algo que a VMWare dizia ser impossível: desenvolveu uma forma de migrar máquinas virtuais de um para outro, sem desligar ou parar nada. Outro exemplo são as distribuições modernas do GNU/ que podem ser iniciadas a partir do CD, algo que a maioria dos sistemas operativos proprietários ainda não implementou.

O é como uma floresta a fervilhar de vida; uma fonte inesgotável de ideias; uma forma de tentar alcançar o impossível e chegar mais longe. Citando Albert Einstein: «A é mais importante que o . O é limitado. A envolve o ».

As possibilidades do não acabam num sistema que permite a migração “live” de máquinas virtuais. Em nossas casas podemos implementar ideias usando . A empresa japonesa Plat’Home sabe disso, por isso lançou um concurso chamado «Will Linux Work?», para premiar as melhores ideias para a de soluções com recurso ao . Um dos requisitos obrigatórios era a utilização do sistema GNU/.
Esta empresa recebeu várias propostas. Uma das propostas é a criação de um sistema para fechar automaticamente a porta de um galinheiro. Este sistema faria uso de uma webcam para permitir ao utilizador ver se estava tudo bem, usaria o SNTP para sincronizar a hora e saber quando é que devia abrir e fechar a porta, e outras aplicações. Outra ideia é um sistema que permite ver as estatísticas dos gastos de electricidade em . Se isto já era algo útil e necessário, nos tempos que correm torna-se ainda mais imprescindível.
Estes são só dois exemplos do que é possível alcançar quando não se têm amarras a dificultar ou impedir o movimento. Quando usamos , estamos apenas limitados pela nossa ; se usamos proprietário, as limitações estendem-se para além da .

Se ainda estão presos, libertem-se!

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Sep 26 2008

Do desktop para a web. Bom ou mau?

Published by Bruno Miguel under opiniões

As aplicações estão a tornar-se cada vez mais populares e é quase um facto que, dentro de algum , elas serão tão populares como as aplicações locais (ou de , se preferirem). Isto é prático porque, independentemente do sistema e do local, a aplicação, à partida, mantém o mesmo interface e só necessita de um browser para ser acedida.
Mas também levanta algumas preocupações, como a impossibilidade de distribuir e alterar essa aplicação de acordo com as nossas necessidades, e a informação inserida nessas aplicações, em boa parte dos casos, nunca ser realmente nossa. Basta ler os termos de serviços e as políticas de para constatarmos isso. Dou um exemplo: o DropBox. De acordo com os termos de deste - passo a redundância - , eles podem vender todos os ficheiros que inserimos na nossa se precisarem do capital dessa venda para não encerrarem a actividade. Podemos encriptar os ficheiros, mas isso não é garantia absoluta.

As aplicações são práticas. Podemos aceder a elas em , no trabalho, em de amigos, num cyber café. Podemos aceder em qualquer lado, só precisamos de um gadget - um simples telemóvel basta - e acesso à net. Não temos que as manter, , nada. É só usar e já está. Bom, não é?
Não necessariamente. E a nossa ? Se essa aplicação for proprietária, voltamos ao mesmo: não a podemos alterar e nunca sabemos se essa aplicação faz algo mais do que devia, como recolher informação sem autorização. Isto não é paranóia, acontece mesmo. Recordam-se daquela aplicação que permitia fazer uma cópia local dos emais da nossa do Gmail? Ela, secretamente, enviava as passwords introduzidas para a de email do seu criador. Como era uma aplicação proprietária, era difícil alguém saber o que ela estava a fazer. Alguém acabou por descobrir e viu que o programa era um lobo com pele de cordeiro.
O proprietário, seja ele para o ou para a , não levanta só problemas de ordem : também é uma boa fonte de insegurança porque ninguém, para além de quem desenvolveu a aplicação, sabe o que ela realmente faz. Tanto quanto sabem, uma aplicação proprietária pode apenas fazer o que alega ou até roubar informação sensível do vosso , como passwords e números de cartões de crédito e respectivos pins.
Outro problema é a portabilidade da informação. Se um fechar, como iremos nós fazer uma cópia dessa informação? E mesmo que consigamos, será que ela vai estar num formato proprietário que ninguém sabe como aceder? Se usarem um formato , esse entrave desaparece, mas outro aparece: uma possível (digo possível porque não sei até que ponto essa violação existirá depois da empresa fechar portas) violação dos termos do que tínhamos aceite.

Felizmente, as aplicações não têm que ser proprietárias. Basta escolher uma que permita que ela possa ser distribuída, alterada e usada para o fim que vocês bem entenderem. Uma dessas é a AGPL, uma da GNU General Public License criada com as aplicações em mente.
De acordo com esta , todo o deve ter uma forma de mostrar aos utilizadores o seu código-fonte. Normalmente, é uma link onde clicam e aparece o código-fonte dessa página. O de microblogging, Identi.ca, está licenciado sob a AGPLv3 e o seu código pode ser descarregado livremente ou visto no próprio .
As aplicações para a seguem um pouco a ideia do OpenPGP - a web of trust (ou de confiança, em ). Ao mostrar o código-fonte, os criadores da aplicação estão a dizer aos utilizadores que não fazem nada no escuro, que são pessoas de confiança. Ao usar aplicações regidas por uma , os utilizadores estão a retribuir essa confiança. A confiança é recíproca e todos sabem o que se passa, como num verdadeiramente democrático.

Para uma exposição completa dos problemas das aplicações proprietárias e da importância das para estas aplicações, leiam este artigo da Free Software Magazine. O seu autor, Ryan Cartwright, faz uma exposição bastante boa destes problemas e da importância das nas aplicações .

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Aug 02 2008

Vigia

Published by Marcos Marado under notícias livres

Vigia - ou, em legalês, “conservação de gerados ou tratados no contexto da oferta de serviços de comunicações electrónicas publicamente disponíveis ou de redes públicas de comunicações” - foi esta a que foi aprovada no passado dia 17 de Julho de 2008 em , tornando-se a n.º 32/2008, que transpõe para a ordem jurídica interna a Directiva n.º 2006/24/CE, do Europeu e do Conselho, de 15 de Março.

Ainda que bem melhor do que a directiva em si, e melhor do que a texto inicialmente proposto pelas entidades que redigiram esta , não podemos deixar de tecer os nossos comentários.

Em primeiro lugar, há que estipular o enquadramento, e dizer sem ressalvas que esta é uma das muitas Leis incluídas do “pacote ”: aquelas que só existem e foram aprovadas através do recurso ao , incutido e englobado no pretexto da iminência da “ameaça terrorista”, algo que se veio tornando comum pós-11/Set. Define a própria que aqui se examina «Crime Grave» como sendo

“crimes de , criminalidade violenta, criminalidade altamente organizada, sequestro, rapto e tomada de reféns, crimes contra a identidade cultural e integridade , contra a do , falsificação de ou títulos equiparados a e crimes abrangidos por convenção sobre da aérea ou marítima.”

A em si, dita que, a partir do momento em que seja publicada uma portaria a definir quais os mecanismos tecnológicos certos para a preservação dos recolhidos, todos aqueles que providenciem “serviços de comunicação” têm três meses para os adaptar de forma a que um conjunto enorme de - relativos a quem usou o , quando, e para com quem - passem a ser registados e guardados durante o prazo de um .

Podemo-nos focar em dois aspectos desta : o facto de ela estar a criar um de vigia, em que todas as comunicações são registadas porque podem, potencialmente, ser usadas para fazer “comunicações criminosas”, estabelecendo assim que todos são “potenciais culpados”, ou então o facto de esta mesma , para o conseguir, está a restringir a de todos aqueles que quiserem, em , criar um que possa ser usado para efeitos de comunicação, porque estes passam agora a ser obrigados a registar todas essas comunicações. E que não se julgue que esta vai afectar apenas os ISP’s e as de telecomunicações: cada vez mais existem serviços que permitem a comunicação entre utilizadores - mas quão seguros serão estes sistemas, quando o anonimato tem de ser abolido para a desta ?

Liam-se já no passado, aquando da aprovação da directiva comunitária, opiniões sobre esta Lei:

Leis semelhantes a estas (algumas bem piores, diga-se) foram aprovadas nos EUA, após o 11 de Setembro, levando ao encerramento de muitos Talkers, já que os autores se recusaram a manter sobre os utilizadores.

Mais uma que, a ser aprovada, irá permitir mais uma forma de controlo sobre a sociedade. É para os governantes incutirem medos na população, neste caso, basta mencionar o vocábulo .
E fazendo uso dos medos das pessoas lá vão arranjando leis que permitam controlar as populações…

A The Foundation for a Free Information Infrastructure (FFII) considerou, aquando da directiva, que

O Europeu aprovou hoje uma directiva que criará a maior de de a nível mundial, monitorizando todas as comunicações dentro da UE

e já depois desta ter sido aprovada em , outros Portugueses a comentam:

com a introdução desta directiva europeia, estamos a caminhar a passos largos para a tal (Des)Ordem Mundial, o tal Único Mundial, que muitos mencionam e que a cada dia se torna mais presente e mais sufocante.

Até quando vamos deixar os nossos dirigentes políticos recorrerem ao para nos controlar?

mmarado Vigia Marcos Marado escreve no
PL ao Sábado sobre Digitais.
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Jul 22 2008

RED HAT

Desde tempos imemoriais que uso os produtos com a chancela Red Hat. Foi o meu primeiro amor neste da e desde havia qualquer coisa que me fazia ficar espantado com o que a conseguia construir!
Mais tarde apaixonei-me pelo , mas essa é outra que neste momento tem cada vez menos valor. Com muita pena minha.

O Fedora foi, é e será uma das distribuições que estará presente pelo menos numa das minhas máquinas; e esta 9 conseguiu espantar-me. Mais uma vez.
Na próxima semana espero ter concluído um mais abrangente acerca desta .

Se quanto ao Fedora 9 não me alongo mais, esta semana andei a experimentar 3 distribuições baseadas no produto desta : CentOS, 90000 e Linpus.

Começando pelo fim, Linpus é uma distro um pouco minimalista baseada em Fedora. Embora já exista há algum , só agora parece querer tornar-se reconhecida mundialmente através da ACER, mais especificamente do ACER One. Eu sou um dos que pertenciam ao grupo dos “desconhecedores”. Já tinha “ouvido”, há cerca de 2 ou 3 anos, falar de qualquer coisa mas nunca perdi a experimentar, tal como agora aconteceu com este sabor “”.
Apesar das várias versões, sinceramente pode servir para uma máquina do tipo ACER One, mas não consigo vislumbrar o que poderá fazer face aos nomes mais conhecidos do ”, exceptuando no mercado da . Foi uma que me custou muitas e boas horas e não me convenceu. Espero ainda pôr as mãos em cima de um ACER One para ver como aquela do Linpus se porta.

Quanto ao 90000, o meu parceiro Bruno Miguel já aqui colocou um artigo. Nada mais tenho a adiantar excepto realçar a natureza “totalmente a aberta” que faz parte da deste “”. Apesar de alguns desentendimentos que me deram um pouco de trabalho lá consegui colocar tudo a trabalhar, mas chamo a atenção que não foi à primeira…

Eis-me chegado ao CentOS. Para quem não conhece posso adiantar que é uma das melhores distribuições “” que anda por aí. Baseada no Red Hat Enterprise , oferece todo o potencial deste e aberto produto comercial, porém a custo ZERO. Se no ” quase todos conhecem o CentOS, já no caso dos tal não se verifica e apenas uma “meia dúzia” de malucos se lembram de andar por aí  com esta , grupo nos quais me incluo pois a partir de agora é este “” que me acompanha a maior parte do - fiquei rendido. O Fedora 9 continua a acompanhar-me mas numa outra máquina, a qual provavelmente substituirá o actual prestimoso e velhinho . Pode-se dizer que se trata de uma troca já que o CentOS está actualmente no “velho” , onde se tem portado de forma irrepreensível.
Neste momento, penso que o CentOS é a melhor para um sistema empresarial já que tem uma invejável , ao mesmo que a /Workstation se encaminha para a “bóptimo”.
Quem estiver interessado em experimentar pode a mais - 5.2 Live CD - no habitual darkstar.


jocaferro RED HAT José Rocha escreve no PL todas as terças um sobre Sistemas Operativos Abertos.
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Jul 05 2008

Restrições Digitais de Direitos (DRM)

Published by Marcos Marado under Direitos Digitais

Já se falou do termo diversas vezes aqui pelo Programas Livres. Mas o que é isso?


Quando compra um carro, ele é seu. Pode fazer o que quiser com ele: conduzi-lo, abri-lo, desmontá-lo… O que quiser, logo que não cometa com ele nenhuma ilegalidade. Quando compra um copo, ele é seu: pode usá-lo quantas vezes quiser, dá-lo, parti-lo, usá-lo para beber ou para fazer dele uma escultura. O que quiser - é seu. Mas… o que acontece quando compra, por exemplo, um CD?

Felizmente a sigla já não é totalmente desconhecida do consumidor, mas, ainda assim, ele tipicamente não sabe a que se refere. é uma sigla, significando formalmente, Digital Rights Management, mas, mais apropriadamente, Digital Restrictions Management, ou, em Gestão Digital de . Termos como protecção contra cópia normalmente referem-se a estas tecnologias. O é uma espécie de “método anti-roubo” como aqueles que existem em algumas lojas, em que um alarme dispara se saires da loja com algo sem pagar. Mas será apenas isso?

Como o seu nome indica, a gestão de digitais aplica-se somente aos meios digitais. O conteúdo digital tem ganho popularidade sobre o conteúdo analógico por dois motivos: o primeiro deve-se ao facto das vantagens técnicas associadas com a sua produção, reprodução e manipulação e o segundo porque, na maioria das vezes, a qualidade é superior em relação ao analógico. Desde o nascimento dos pessoais, os arquivos de conteúdo digital tornaram-se um meio de fazer cópias de modo ilimitado sem aparecer qualquer perda na qualidade das cópias subsequentes. conteúdo analógico perde qualidade com cada geração copiada e frequentemente durante o seu uso normal. A popularidade da e das ferramentas para partilhar arquivos simplificou a de conteúdo digital.

A disponibilidade de múltiplas cópias perfeitas de material sujeito a de autor foi entendida pela indústria como um golpe ao seu modelo de negócio, em especial dentro da indústria fonográfica, cinematográfica e dos jogos electrónicos. Aqueles que publicam material digital têm modelos de negócio que recaem na habilidade de obter lucro por cada cópia feita do trabalho digital, e algumas vezes por cada execução daquele material. O foi criado e planeado por essas e indivíduos, ainda oferecendo o conteúdo digital, mas com medidas para permitir o controle da duplicação e disseminação do seu conteúdo.

O não protege Autores nem Consumidores - apenas a Indústria.

Mas qual é o problema com o ?

As grandes corporações descrevem as tecnologias como tecnologias de “Gestão de ”, mas, na realidade, estas tecnologias fazem gestão de .

Pegando na analogia anterior, a dos alarmes nas portas das lojas, e como ainda é possível “roubar” músicas e filmes depois de os ter comprado, os alarmes terão de ser colocados na porta de entrada da sua . E na sua porta das traseiras. E na porta da garagem. E na do arrumo. E em cada uma das passagens de ar para ventilação. Pode parecer caro todos estes alarmes, mas não se preocupe: é a sua e portanto não serão as lojas a pagar por esses alarmes, é você que os vai em sua . Vem com o privilégio de ouvir a ou ver o filme que comprou. Ter de dizer “sim, vou estes alarmes”.

Mas estas tecnologias não fazem apenas soar um alarme quando você tenta roubar algo. Elas tipicamente:

  • detectam quem acede a cada obra, quando e sob quais condições, e reportam essa informação ao provedor da obra
  • autorizam ou negam da maneira irrefutável o acesso a obra, de acordo com as condições que podem ser alteradas unilateralmente pelo provedor da obra
  • quando autorizam o acesso, fazem-no sob condições restritivas que são fixadas unilateralmente pelo provedor da obra, independentemente dos que a fornece ao autor ou ao público

As tecnologias podem controlar os consumidores restringindo-lhes o acesso a filmes, , literatura e , ou, mais precisamente, todo e qualquer formato de digital.

Numa loja, se for apanhado a roubar você pode ser enviado à prisão. No caso do , apenas lhe confiscam aquilo que, segundo os alarmes, tentou roubar. Eles não ouvem a sua explicação, não lhe deixam falar com a gerência da loja. Confiscam o que roubou e deixam-no prosseguir o seu caminho. O problema aqui é que você não sabe o que faz os alarmes disparar. E não pode reclamar se achar que o alarme não devia ter disparado. Não pode dizer “não quero alarmes em minha ” - a não ser que queira abdicar, sem receber o de volta, de aquilo que comprou.

Mas lembre-se: você tem uma escolha. Não comprar produtos com .

Mas… Se o é assim tão mau, porque existe?

O é mau para ambas as pontas da cadeia de valor: o produtor e o consumidor. No entanto o intermediário tem a ganhar com isto. Peguemos no exemplo da : A indústria discográfica quer controlar a da sua . Eles querem chegar ao maior número possível de pessoas, mas querem receber de cada uma delas. Como isso implica saber como é que usa a que comprou, eles decidiram que era interessante se pudessem cobrar por cada tipo de uso que dá à sua : se a quiser ouvir no compra de uma forma, se quiser ouvir no seu carro terá de a comprar de outra forma, se ainda a quiser ter no seu de mp3, terá de adquiri-la outra vez. Com a queda das vendas de , cobrar mais àqueles que pagam por ela ainda se lhes afigurou mais atractivo. Mas a já não era sua? Não podia fazer com ela o que quisesse? Na realidade não: se compra um CD mas não o consegue copiar, se compra uma em formato digital mas não a consegue tocar no seu demp3, então ela não é verdadeiramente sua: quando a comprou, foi-lhe forçado, com ela, um conjunto de .

Uma posição comum sobre este tema é “pois, isso realmente não é bom, mas a mim não me afecta, por isso não quero saber”. Mas isso pode sair-lhe gorado: um bom exemplo é o caso da Microsoft.

Em 2004 a Microsoft criou uma loja online chamada “MSN Music”, cuja era vendida com um sistema de chamado PlaysForSure. Em 2006 a Microsoft fechou a loja, e abriu uma outra, chamada Zune Marketplace, com outro sistema de . Aqueles que compraram músicas na primeira loja, têm agora de requisitar para ouvir a que já compraram: têm a cinco , que terão de ser inseridas em cinco instalações do Microsoft Windows. Recentemente a Microsoft anunciou que, a partir de 1 de Setembro, as músicas por eles compradas só tocariam nas instalações de Microsoft Windows onde estão as . Se tivessem de reinstalar o sistema operativo, ou actualizar a sua (do Windows XP para o Windows Vista, por exemplo), perderiam a , deixando de poder ouvir a que já compraram. Ah, e se tentassem, mesmo que não conseguissem, “enganar os alarmes”… estariam a cometer uma ilegalidade. Depois de todas as reacções a este anúncio, invariavelmente negativas, a Microsoft voltou atrás: uma boa mostra de como a online consegue defender-se e pressionar corporações como esta. Mas as notícias não são animadoras: eles prometem adiar este prazo de 1 de Setembro para algures em 2011, onde irão decidir de que forma agir. Adiam assim o problema, na esperança que o assunto caia no esquecimento. Mas, para quem comprou lá, não está à espera que ela “dure mais três anos”: devia ter o a poder tê-la, para .

E agora? Volta a comprar produtos com ?

Para saber mais sobre este assunto, incluindo como ajudar a combater estes sistemas, dirija-se ao site do DRM-PT.

mmarado Restrições Digitais de Direitos (DRM) Marcos Marado escreve no
PL ao Sábado sobre Digitais.
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Jul 02 2008

Parlmento Europeu vai votar lei anti-democrática para a Internet. Você pode mudar isso

Published by Bruno Miguel under artigos diversos

Ah, . para escolher o que se quer almoçar, que filme se quer ver, que automóvel se quer comprar, que website se quer visitar. Todos nós, cidadãos portugueses e europeus, gozamos destas liberdades. E elas sabem bem, não sabem?

Infelizmente, a para visitar qualquer pode estar ameaçada. Já no próximo dia 7, o Europeu (PE) vai votar um pacote de medidas conhecido como “Telecoms Package”, que ameaça até a de aceder à com .

Este pacote, alegadamente criado em nome da dos cidadãos europeus, vista a filtragem dos conteúdos, quer a nível dos ISPs, que a nível dos utilizadores. Isto quer dizer que a , no europeu, passará a ser um gigantesco , onde todos os cibernautas são observados e deixados à mercê da indústria de entretenimento. Sim, à mercê da indústria de entretenimento, porque, se for aprovada, os ISPs terão que trabalhar em conjunto com esta indústria, com pouca ou nenhuma supervisão judicial.

Como será feito esse controlo? Uma das formas de o fazer é permitir o acesso à apenas após a de uma aplicação que regista toda a actividade online do utilizador e envia essa informação para o ISP e outras entidades - vulgo, através da de spyware, aquilo que é usado pelos ciber-criminosos para vos roubar .

Já não é a primeira vez que uma medida semelhante é sujeita a votação. Até agora, este tipo de medidas têm sido rejeitadas; mas nada nos garante que a tradição de as rejeitar se manterá.

O combate à de ficheiros é, também, um dos objectivos desta medida. Mas a de ficheiros não é toda ilegal, nem as redes P2P são usadas exclusivamente para actividades ilícitas. Eu já utilizei redes bittorrent para ficheiros legais - por exemplo, distribuições de GNU/. Vocês, com certeza, também já o fizeram.

As redes P2P não são ilegais; alguns conteúdos que partilham nessas redes é que o são. E isso não é, nem deve ser, desculpa para tentar acabar com uma rede que pode ter benefícios enormes para todos.

O que está em causa são liberdades básicas. A não deve ser perdida em nome da . Vejam as câmaras de , usadas para combater o crime. Na Inglaterra, onde são largamente usadas, o impacto que têm no combate ao crime está próximo do zero. Um estudo até mostrou que uma boa iluminação é sete vezes mais eficaz que uma câmara de .

Para ajudar os cidadãos a combater esta medida, os activistas do La Quadrature Du Net e Open Rights Group, e os autores do Netzpolitik, criaram uma Wiki com toda a informação que necessitam sobre o “Telecoms Package”, como o combater e ainda com os contactos dos vários representantes dos cidadãos europeus no Europeu.

Vocês podem acabar com esta proposta! Visitem esta Wiki, leiam a informação sobre esta proposta, contactem os nossos representantes e sensibilizem-nos para os interesses democráticos dos portugueses. Alertem os vossos familiares e amigos, e peçam-lhes para eles, também, contactarem os nossos representantes no Europeu.

via Laquadrature.net e Remixtures.com

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Jul 01 2008

KURUMIN NG 8.06

bootsplash_1-300x224 KURUMIN NG 8.06

Lançada recentemente esta New/Next Generation do kurumin que não é mais do que “” de por parte de Carlos Morimoto (kurumin) e de Leandro Santos (kalango). Ainda bem que o fizeram já que cada um tinha abandonar os respectivos .
Embora não os conheça pessoalmente e nunca ter trocado com eles mais do um ou outro comentário ou (contam-se com os dedos de uma mão) na são velhos conhecidos desde o em que eu comecei a comprar a PC Master. Agora já não a compro, apenas devido ao de cerca de 6 meses que uma simples demora a chegar a , mas tenho acompanhado o trabalho deste , principalmente Carlos Morimoto, no Guia do Hardware.
Esta 8.06 segue a já habitual linha de facilidade de /configuração o que a torna numa séria candidata a ser uma das primeiras experiências de todos os que pretendam experimentar a “”. Desta vez é baseada no kubuntu e é mesmo de lidar bastando o , um Live CD e arrancar o através desse mesmo CD e posteriormente instalado caso gostem do que viram. Logo no início, embora não tenha a opção de poder escolher a linguagem a utilizar ficando-se pelo do e Inglês, pode e deve-se optar pelo de bastando, para isso, premir a tecla F3 e escolher.
Neste meu (Paix) tudo correu às mil maravilhas tendo detectado todo o logo à primeira e é esse exactamente o objectivo desta essencialmente dirigida para o “”:
- ;
- detecção imediata de quase todo o ;
- conjunto de ferramentas que permitem todos os ;
- evita ao máximo a inclusão de mais do que um programa para determinada função.

Absolutamente recomendável, diria quase indispensável para os mais novatos.

Quem quiser experimentar já sabe que pode ir ao do costume - “darkstar“.


jocaferro KURUMIN NG 8.06 José Rocha escreve no PL todas as terças um sobre Sistemas Operativos Abertos.
Podem encontrar mais artigos como este no seu blog pessoal.

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Jun 17 2008

SISTEMAS OPERATIVOS - LIVRES E ABERTOS

“Hoje é o primeiro dia do resto da minha vida”.
Esta frase poderá prestar-se a tudo mas, especificamente neste caso, é mesmo uma realidade.
Todas as Terças irão contar, da minha parte, com um ou notícia acerca de Sistemas Operativos e Abertos e, quando possível, uma informação ou acerca de uma determinada .
Espero conseguir cobrir o espectro das várias hipóteses existentes desde as distribuições “”, ou .

Hoje, como estou a iniciar a com Programas , não vou apresentar qualquer Sistema Operativo. Optarei, antes, por “filosofar” um pouco acerca deste conceito.

Qual a vantagem de optar por um SO e aberto?
A resposta é simples: escolha.

Pode, à partida, parecer um pouco simplista, mas na esta escolha engloba muitos outros conceitos com o realce a recair sobre a .

de escolher o que eu pretendo.
de mudar.
de experimentar.
de fazer o que quiser com o que me é oferecido.
de construir um SO à minha vontade.
de o para quantas máquinas quiser.
de optar pelo proprietário se assim o entenderem.

Em suma: completa para tudo!

E quem não gosta e preza a sua ?
O ser , com a sua capacidade de raciocinar, anseia e ansiou pelo seu . Imensas lutas tem sido travadas, desde tempos imemoriais, em busca deste ideal.
Porque há-de ser diferente com a ? Ou, posto de outro modo, porque não o fazer com a que se encontra ao dispor, principalmente quando esta não lhe custa absolutamente nada e, para além do custo, também é absolutamente ?

Ah!, podem alguns exclamar, mas tem custos pelo menos o que gastamos.
Certo, sem dúvida. Só que o que estão a gastar é produtivo ou seja, estão a aprender algo que poderá ficar para e não a desperdiçar em algo que daqui a dois ou três anos já não existe e lá terão que recomeçar de novo.
Nada como exemplos para ilustrar a teoria e o meu exemplo recorrente é o . Um país, que ainda há pouco se encontrava tecnologicamente atrasado, ao enveredar pelo caminho do e Aberto, tornou-se, em pouco - menos de 5 anos -, numa das maiores potências mundiais no que concerne a este campo. Os nossos irmãos brasileiros começam a dar cartas no inteiro e as solicitações por parte das principais mundiais começam a aparecer em grande escala.

Um dos grandes problemas apontados à progressão deste ramo de negócio é a falta de técnicos e realmente existe um grande deficit de profissionais neste ramo que resulta numa procura superior à oferta.
Oportunidade de negócio?
Sim, sem qualquer sombra de dúvida. Se procurarem um pouco poderão certificar-se que os profissionais deste ramo ganham mais que os que se dedicam ao proprietário. Salvo as devidas excepções, como é óbvio.

Dedicar o vosso a esta actividade é investir no vosso futuro. Tudo é , pelo que evitam a pirataria. E, na maioria dos casos, os conhecimentos que estão a assimilar adaptam-se perfeitamente quer ao quanto ao proprietário.

Então o que impede alguém de mudar?
Provavelmente a acomodação. Vivemos numa sociedade, pelo menos no que se diz “civilizado”, em que compramos tudo feito - sociedade “fast-food”, em que as grandes corporações dominam a seu belo prazer os governantes, em que o poder do se sobrepõe ao “” e em que grandes barbaridades são cometidas diariamente com a assinalável passividade da nossa parte.
Vivemos numa sociedade obesa, adaptados à curva do sofá e à forma das pantufas, adoramos o nosso umbigo e passivamente assistimos à barbárie que passa diariamente nos telejornais.

É óbvio que nem todos são assim. Felizmente!
alguém, por vezes com um idealismo exacerbado como é o meu caso, que tenta lutar contra a maré. Dá trabalho e chatices sem mas, no “fim da viagem”, podermos sentir-nos bem com nós próprios e a satisfação de termos conseguido algo por mais ínfimo seja ilumina a que todos os dias vemos no espelho.

E do lado do proprietário não há ninguém nas mesmas condições, podem perguntar.
Claro que sim. Os idealistas estão dos dois lados da barricada.

Afinal, quais as vantagens que posso tirar de toda esta estafa?
Relativamente poucas se estiverem a pensar em termos monetários, mas muitas se estiverem a pensar em realização .

Em resumo, não é um “wow” mas sim “Eureka”.

ao invés da pasmaceira.

Em jeito de conclusão, faço o convite para me acompanharem nesta viagem, se assim o desejarem. Ninguém é obrigado a nada, mas conto com toda a participação dos leitores de PL para me questionarem ou mesmo para me emendarem quando acham que estou errado. Não vale a pena mencionar que insultos não, já que tenho a certeza que estou perante pessoas verdadeiramente civilizadas.
Contudo, peço o especial favor de evitarem ao máximo as perguntas cujas respostas se podem encontrar com uma simples busca, excepto no caso dos ou análises mais detalhadas. A minha vida limita-me imenso o que posso dispensar e por esse motivo darei primazia às questões mais pertinentes ou aquelas onde o grau de dificuldade é mais elevado.

Despeço-me com um grande @braço para toda esta .