Jan 15 2009

«ANSOL não esteve pelos ajustes»

Published by Bruno Miguel under locais

O Marco Santos, o autor do conhecido blog Bitaites.org, fez cinco perguntas ao Rui Seabra, o vice-presidente da Associação Nacional para o Software Livre (ANSOL), sobre o projecto Transparência na AP.

As perguntas e as respostas que, tal como o restante texto, foram publicadas pelo Marco sob uma licença cc-by-nc-sa-2.5-pt (e que estão disponíveis neste post sob a mesma licença), ficam aqui transcritas.

* * *

A intenção da ANSOL foi, em primeiro lugar, denunciar os contratos entre a Administração Pública e a Microsoft - é uma luta antiga. Foi isto que os levou a considerar que falta transparência à Administração Pública?
Rui Seabra - A nossa intenção nunca foi essa. Tivemos algumas denúncias de casos extremamente avultados quando o Base ainda tinha poucas páginas na listagem de ajustes directos, e percebemos logo que aquilo não escalava para os cidadãos. Sentimos que era necessário fazer algo para resolver esse problema.

No período de testes do vosso «script» já tinham detectado estas situações ou os resultados que diversos bloggers têm obtido surpreenderam-vos?
R. S.  - Temos que confessar que tudo o que tínhamos encontrado que consideramos curioso, foi largamente superado pelo que a comunidade de cidadãos interessados encontrou.

É possível que algumas entidades visadas se justifiquem com «erros de informática». Tendo em conta o elevado número de casos e despesas absurdas, é possível traçar um cenário plausível em que esses erros possam ocorrer? Por exemplo, considera que existiu na introdução dos valores um erro sistemático ou um conjunto de erros aleatórios?
R. S. - O próprio Base é um exemplo de «erro de informática» no ponto de vista da usabilidade. Se a parte que os cidadãos vêm é assim tão má, pergunto-me como será o interface que é disponibilizado à Administração Pública… Contudo, acho pouco razoável que a elevada quantidade de valores estranhos seja justificada apenas com erros de duas casas decimais não consideradas na introdução dos dados.

Considera plausível que não tenha sido feita uma validação dos resultados depois de inseridos, como sucedeu há cinco anos quando o Ministério da Educação publicou uma lista de colocação de professores repleta de erros?
R. S. - Considero um erro básico de design que o Base não implemente os limites e excepções previstos por lei. Se os implementasse, certamente não apareceriam de ânimo leve certos tipos de valores. Exemplos: mais de 14 milhões de Euros da AMA (Agência para a Modernização Administrativa) para a Microsoft, via Prológica; 5,5 milhões de Euros da FTC-UC para a Microsoft via Datainfor, que estranhamente deixou de aparecer nas listagens do Base embora continue lá.

Tirando o exemplo dos 14 milhões de Euros gastos com a renovação de licenças de software Microsoft, qual foi a despesa que mais o chocou?
R. S. - Digamos que não foi o papel higiénico pois existem rolos industriais que custam muito mais do que rolos normais no supermercado. Embora desconheça o valor por rolo, o valor por folhinha é certamente mais baixo. Estou surpreendido com os preços dos sítios web. É um perfeito exemplo de algo que uma equipa de qualidade na Administração Pública especializada em Software Livre poderia resolver transversalmente, aplicando racionalidade e eficiência na face de interactividade on-line com o cidadão.

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Jan 15 2009

ANSOL Anuncia Portal da Transparência na Administração Pública

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Lisboa, 13 de Janeiro de 2009 — A Associação Nacional para o Software Livre (ANSOL) coloca o Software Livre ao serviço da cidadania, apresentando um site desenvolvido para resolver as muitas dificuldades existentes na pesquisa e navegação no sítio oficial Base. Esta iniciativa é apenas a primeira de uma série de propostas da Associação para demonstrar o seu apoio a uma administração pública que seja mais racional, eficaz e transparente.

«A sua origem tem uma razão clara», afirma Rui Seabra, Vice-Presidente da Direcção, «não é humanamente possível nenhum cidadão tirar proveito do Base para, por exemplo, verificar as despesas numa determinada área. São centenas de páginas que só podem ser consultadas sequencialmente. Não se consegue navegar directamente para uma determinada página e a função de procura pura e simplesmente não funciona. O Base é o exemplo de um conceito louvável e essencial, atraiçoado por uma implementação de má qualidade. O próprio site representa uma aplicação duvidosa de dinheiros públicos.»

Rui Seabra acrescenta, «Sentimos portanto que algo tinha de ser feito para resolver isso e achamos que a acção tem mais força do que a crítica. Como prova de conceito do que se pode fazer com qualidade, fizemos a primeira versão do Transparência.»

O sítio Transparência na AP, pode ser visitado em http://transparencia-pt.org/

A primeira versão apresenta uma cópia da informação oficial, que é actualizada de forma periódica, que disponibiliza através de um interface que facilita e incentiva a procura. Este sítio será porventura útil a todos aqueles que pretendam analisar, investigar, escrutinar ou optimizar a aplicação de verbas públicas em .

De momento permite uma pesquisa simplificada sobre os Ajustes Directos publicados no Base, mas a ANSOL promete não se ficar por aqui: «Isto foi feito num dia de trabalho sem ter acesso directo aos dados, imagine-se o que se poderia ser feito aliando o e uma equipa de qualidade à informação pública.», conclui Rui Seabra.

Sobre a ANSOL

A Associação Nacional para o é uma associação portuguesa sem fins lucrativos que tem como fim a divulgação, promoção, desenvolvimento, investigação e estudo da Informática Livre e das suas repercussões sociais, políticas, filosóficas, culturais, técnicas e científicas.

Contactos

ANSOL http://ansol.org/contacto

Rui Miguel Silva Seabra rui.seabra@ansol.org Tel. 93 32 55 619

Links Úteis

retirado do Software Livre no Sapo

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Dec 13 2008

Cenatic realiza estudo sobre as vantagens do uso de software livre

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Estudo confirma uma das vantagens mais conhecidas e apontadas do software livre: a poupança no custo das licenças.

O Cenatic, uma fundação pública criada em Novembro de 2006 pelo Ministério da Indústria, Turismo e Comércio espanhol para estudar a aplicabilidade de software livre na administração pública, conduziu um estudo [versão espanhola] para enumerar as principais vantagens do uso de software livre.

Dezasseis implementações de software livre na administração pública espanhola foram estudadas como parte do estudo. Elas permitiram ao Cenatic concluir que a poupança nas licenças de software é uma das principais vantagens para a escolha de software livre.

Para além desta, outras três vantagens foram apontadas pelo estudo do Cenatic: independência de um fornecedor, possibilidade de criar uma comunidade à volta de determinado software e maior facilidade em adaptar o software às necessidades reais dos organismos públicos.

Com este estudo, o Cenatic conclui que as administrações públicas espanholas devem formar o seu staff nos aspectos legais, económicos e sociológicos do software livre.

Um estudo interessante, mas que me parece não aprofundar aquela que é a grande vantagem do software livre: a liberdade. Liberdade para estudar, alterar, partilhar, partilhar as alterações e usar o software para o fim que se bem entender. Não estou a insinuar que o estudo é mau, muito pelo contrário; apenas acho que o ponto da liberdade podia ter sido muito mais aprofundado, até porque liberdade faz parte de qualquer democracia e o software proprietário é contrário a isso (não é democrático, tem uma natureza ditatorial).

{via OSOR}

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Nov 07 2008

OSOR publica directrizes para a inclusão de software livre nos concursos públicos

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Se as instituições públicas antes podiam usar a desculpa do desconhecimento do software livre para não o usar, agora já não. Isto porque o Open Source Repository and Observatory (OSOR), um organismo criado pela Comissão Europeia para a divulgação de software livre nas instituições públicas europeias, publicou recentemente um conjunto de directrizes para ajudar estes organismos a integrar o software e formatos livres no processo de escolha.

Esta iniciativa apareceu depois de se ter verificado que várias instituições públicas europeias davam preferência ao software proprietário, chegando mesmo a pedir produtos específicos, uma prática que, aparentemente, não é legal dentro da União Europeia. Portugal não é excepção nestas práticas, e até temos um exemplo bem recente.

Infelizmente, estas directrizes não acabam de vez com o software proprietário nas instituições públicas europeias. Em vez disso, ficam-se pela fomentação da inclusão de soluções livres no processo de escolha de soluções, o que já é bastante bom. Só não é suficiente para remover as soluções fechadas, que impedem estas instituições de ser mais transparentes, como deve acontecer em democracias.

via FossBazaar

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Sep 30 2008

Brasil começa a migrar para o ODF

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O governo brasileiro deu inicio ao processo de implementação do formato padrão livre ODF na administração pública, conhecido como Protocolo de Brasília. Este protocolo foi assinado por várias instituições, empresas e governo durante a CONSEGI 2008.

A implementação deste formato padrão livre nas instituições públicas brasileiras inclui mais de 500 mil desktops. Um projecto de grande dimensão que devia servir de exemplo a Portugal.

{via Free Software in Latin America}

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Sep 05 2008

Observatório e Repositório de Software Livre para a Administração Publica Europeia já tem data de lançamento marcada

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O Observatório e Repositório de Software Livre para as Administrações Publicas Europeias já tem data e local de lançamento: 20 de Outubro, em Málaga, a mesma data da conferência Open Source World Conference. O programa está disponível no site do IDABC (Interoperable Delivery of European eGovernment Services to public Administrations, Businesses and Citizens), no formato PDF.

Esta é, sem qualquer sombra de dúvida, uma excelente notícia para os cidadãos europeus. Mas não consigo evitar de colocar a seguinte questão: José Sócrates e o seu executivo, que tanto gostam de anunciar as suas medidas como medidas europeias, vão finalmente começar a mudar o software da administração pública para software livre ou vão continuar na cepa torta?

{via robertogaloppini.net}

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