Mar 30 2009
Uma luz ao fundo do túnel?
Foi a 3 de Fevereiro deste ano que desabafei aqui sobre a falta de união que vejo entre as diferentes comunidades de software livre em Portugal. Ainda hoje, quase dois meses passados, continuo a ver o mesmo. Estou consciente que parece muito pouco tempo para algo mudar. Mas será que é mesmo?
As guerrinhas de sempre continuam a existir, mas não vejo nada por aí além, isto é, não me parecem muito exageradas nem nada; são mais estímulos do que propriamente guerras, que acabam por beneficiar as comunidades e porque as obriga a um melhorar e amadurecimento constantes. A porca torce o rabo, como diz o povo, quando se chega aos canais de comunicação e interacção entre as diferentes comunidade de software livre em Portugal. Há poucos e poucas pessoas a fazê-los e a mantê-los. Talvez esteja errado porque estou no meio há pouco mais de dois anos, o que não é nada comparado com alguns membros que já andam nestas andanças há uma década ou mais. Mas é isto que vejo dentro das comunidades nacionais em que estou envolvido.
Tenho de fazer um pequeno reparo para não ser mal interpretado nem gerar confusão. Refiro-me a diferentes comunidades de software livre em Portugal, mas na realidade só há uma, e diferentes comunidades/grupos em torno de projectos de software livre. Infelizmente, em vez destes grupos se verem como uma grande comunidade nacional, preferem pensar em si como uma entidade que existe por si só, que são melhores que os outros e que, no que toca a software livre, eles é que são a grande referência e exemplo a seguir. Temos tribalismos e só temos a perder com isso. As diferentes comunidades da cena de software livre podem manter a sua identidade, os seus objectivos e os seus projectos, sem que deixem de colaborar entre si e de se verem como uma grande comunidade. O ganho seria imenso para todos, membros dos grupos, da comunidade e para o cidadão em geral.
Durante o Barcamppt, que decorreu no passado fim-de-semana no Departamento de Engenharia Informática da Universidade de Coimbra (DEI-UC), tive o privilégio de poder dar uma pequena vista de olhos a um projecto que visa trazer alguma unificação à cena nacional. Não vou revelar detalhes porque ainda está em construção, mas posso dizer que parece muito promissor.
Ele só peca, na minha opinião, por dar a ideia de que a unificação está a ser feita apenas para a comunidade em torno de um conhecido projecto de software livre e que todos os outros ficam “abaixo” ou fora dele. O que me leva a dizer isto é o domínio escolhido, que não irei revelar. Talvez ele tente apenas unificar as comunidades nacionais em torno daquele projecto, mas, pelo que percebi, pretende ser um “farol” do software livre em Portugal, um ponto de união e força. Se assim for, um outro domínio seria aconselhável, para que os diferentes grupos nacionais não se sintam de fora nem sob uma espécie de controlo.
Dois meses é, de facto, pouco tempo para reverter esta situação, mas não para fazer algo para a mudar. E isso, felizmente, já está a ser feito. Mais seria possível se o umbiguismo acabasse e começasse a haver mais movimento em prol da comunidade nacional.
{Texto gentilmente revisto pela Vanessa Quitério, finalista do curso de Comunicação Social}














