May 31 2009
Trocar Liberdade por Controlo?
Avizinham-se as eleições para o Parlamento Europeu, e com elas o meu rotineiro “health check” ao sistema Político Europeu.
Começo por realçar a sua importância, lembrando-vos apenas dos números: cerca de 60% das Leis aprovadas em Portugal tiveram origem em directivas Europeias, formuladas no Parlamento Europeu. Relembro ainda que, ao aplicar-se o Tratado de Lisboa, o poder do Parlamento Europeu irá aumentar.
Em cima da mesa, entre uma enorme panóplia de temas discutidos e posições defendidas, há um que ofusca todos os outros em importância, mas que, por motivos de interesse, é raramente discutido: a resposta à pergunta “trocaria a liberdade dos seus cidadãos pela possibilidade de ter um combate ao terrorismo mais eficaz?”. A pergunta ofusca todas as outras porque - analizando friamente o seu impacto - chegaremos rapidamente à conclusão que tudo o resto que possa vir da Europa, bom ou mau, só poderá ser usufruído se tivermos liberdade para tal. E assim, para mim, rapidamente o cenário das próximas eleições se modificou. A questão passou a ser só uma, as respostas possíveis apenas duas. Se pudessemos assumir, como seria bom, que a maioria nunca cederia a liberdade dos seus cidadãos a troco de mais controlo, então ponderar em todas as outras questões seria o passo seguinte. Infelizmente o cenário é pior, muito pior.
De todos os candidatos Portugueses à próxima corrida eleitoral, apenas dois (2!) respondem: “nunca trocaria a liberdade dos cidadãos por controlo”. São eles, a saber, BE e CDU. Segundo uma sondagem recente, apresentada no jornal Expresso do dia 23 de Maio, o BE e a CDU, juntos, correspondema apenas 4 Euro Deputados, num total de 22. Sim, leram bem: <b>81% dos Portugueses tencionam votar num
candidato que não se opõe à restrição da liberdade dos cidadãos a troco de mais controlo.</b>
Continuamos a ser bombardeados com ataques pessoais entre os candidatos, partidos que descaradamente usam estas eleições não para o fim a que se destinam mas sim como preparação para umas outras eleições, referências ao chamado “voto útil”… e o enorme risco em que a nossa Liberdade está? Dessa não fala ninguém, essa ninguém vê.
Desinformados, os Portugueses irão às urnas assinar o contrato que os fará ceder os seus direitos e liberdades. Para mim BE ou CDU são um só partido, e as Europeias têm um só propósito: ter o maior número possível de defensores da Liberdade entre os 22 Portugueses que decidirão o nosso futuro na Europa.
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Marcos Marado escreve no PL sobre Direitos Digitais. Este artigo representa a sua opinião, não necessariamente a mesma que a da comunidade do Programas Livres. Podem encontrar mais artigos como este no seu blog pessoal. |

No ano passado, Richards 













